O tempo passou. Envelheci. Mas a vida se renovou.

Vou guardar pra ver se o aplicativo acertou.


Tem livros que não queremos terminar de ler, de tão boa que é a experiência. Percebemos o avanço para sua parte final e uma proto-saudade já se instala, viral. São 09:14h de 13 de maio de 2026, manhã fria, e faltam menos de 100 páginas pra mim concluir A Escalada, de Anatoli Boukreev, o alpinista cazaque. O frio de outono gaúcho me faz próximo fisicamente do frio da primavera nepalesa, sobre o Everest. Próxima num sentido figurado, pois lá fazia, na noite de 10 para 11 de maio de 1996, 40° negativos transformados em 70° negativos pelos ventos de 100 km/h. São trinta anos, 8.000 metros de altitude e quase 80° de distância, logo. Vou no WC urinar, mas tive de vir aqui escrever isso logo depois de fechar o livro com o marcador de página dentro. Gosto de frio, detesto calor. Calorão, melhor dizendo. Sofro menos em temperaturas baixas, os calorões me assolam terrivelmente o corpo. Nasci em junho, já no inverno. Voltarei com vagar ao livro, a fim de esticar ao máximo o prazer.
Tem textos que nos perseguem durante meses. Ficam latentes em nós. Engravidamos deles. Nossa pesquisa sobre o tema é o que o faz crescer durante a gestação. Escrever e publicar é um parto. Uns saem enormes. Como esse que publiquei hoje no Recanto, Viver e morrer na montanha, que escrevi depois de muita pesquisano YouTube e da leitura dos livros acima. E muitas vezes ele é quase só nosso, pouca gente se interessa. Faz parte. Escrever é por si só o prazer pessoal, aprendizado sobre o que nos dá curiosidade e interesse. É de nós pra nós.

Uma obra e tanto, icônica.