Pelo andar da carroça puxada a bois mancos, teremos dois Gauchões em 2027: o raiz, em P&B, e um outro, de cores chapadas e olhos arregalados, na série B do Brasileiro. Isso levando em conta que a dupla GreNal, que morrerá abraçada ao que tudo indica, montem dois times que hegemonizem a segundona nacional que, sabemos bem, costuma reunir clubes mais robustos que os do Gauchão raiz.
Não vou aqui fazer alarido tipo YouTuber maluco buscando engajamento, berrando e apontando culpados, mas apenas trabalhar com um fato óbvio: a dupla esteve mal ano passado e a coisa, agora, piorou, o Grêmio sob nova direção e o Inter com a mesma, os dois com dívidas na casa do bilhão. Seguindo o script clássico do rebaixamento, ambos trocaram de técnico recentemente, procurando soluções tradicionais para os que já entraram no modo desespero, e ambos igualmente sofreram derrotas na última rodada, afundando no Z4 em 18° e 17° lugares. Não fosse o Corinthians estar dando esperanças...
O Grêmio apostou em sua bala de ouro, Renato, a Estátua, o maior nome da história do clube. Ainda não funcionou, infelizmente, e não há como culpar o cara, embora já apareça quem berre o fazendo, vendendo loucura. Trazer Renato foi quase uma solução mágica, todos sabiam, inclusive ele, mas mesmo assim o convidaram e ele aceitou. Só que a tabela do Grêmio, pra complicar, é terrível, com times do G6 pela frente. Já a do Inter é mais leve, mas o time é ruim, pior que o do ano passado. Aliás, se o Inter contratou mal, o Grêmio vendeu e mandou embora muita gente que poderia estar ajudando agora, principalmente no meio campo. Pela lógica, o Grêmio tem mais chances de cair, mas ambos, por essa mesma lógica, são candidatíssimos a acompanharem Remo e Chapecoense no rebaixamento. São o fatos. Briguemos com os fatos! Salvem-se Grêmio e Inter!
Caso o doloroso e indesejável pior aconteça, poderemos realizar uma Super Copa Gaúcha ano que vem: se um vencer o Gauchão e outro a Segundona BR, ao final do ano, em dois grenais, decidiremos qual o melhor do ano. Claro, pra isso esperamos que o Juventude, que igualmente ao que tudo indica será o representante gaúcho na Série A 2027, não monte um time classe A e pape o certame regional, o campeonato mais difícil do mundo.
E é isso. Vivemos pra ver a dupla GreNal na B e o Ju na A, possivelmente, algo inimaginável antes de 2026. A conta chegou pra dupla e o horizonte é de mau tempo. Mas não tá morto quem luta quem peleia, pois pelear é a marca do campeiro - embora campeiro seja algo raro de encontrar nos times, recheados de estrangeiros da América do Sul, África e Europa. Emboras lá pra vê. Calcemos as chuteiras da humildade. Fé em Deus, mesmo que ele não jogue.
