João Adolfo Guerreiro
Descobrindo a verdade/ sem medo de viver/ A liberdade de escolha/ é a fé que faz crescer.
Capa Meu Diário Textos Áudios Fotos Perfil Livros à Venda Livro de Visitas Contato Links
Textos

Fui num jantar comunista

 

Sábado, pela primeira vez na vida, fui numa janta comunista, convidado pelos amigos Baí e Pri. Com que roupa? - como cantou Noel no samba. Buenas, como ainda era Copa, vesti minha camisa preta da Seleção e coloquei um broche do Karl Marx. A rigor para o momento e para o evento!

 

Cheguei lá e vi algo espetado no fogo. Não, não era um porco capitalista abatido a martelo e carneado a foice assado numa churrasqueira revolucionária, era um galeto. O galo francês sendo abatido por 6x4 pelos ingleses e os comunistas comendo frango em Charqueadas. Com pão cacetinho e maionese, mais proletário impossível. Ah, posso testemunhar, agora: comunista não come criancinha. Não havia nenhuma no espeto. Pra ser sincero não havia crianças entre os 40 presentes, mas muitos jovens. Só cinco com camisa vermelha. Quatro, pois uma camiseta não contava, era do Inter. Logo, apenas 10% de camisas vermelhas.

 

Na decoração, nenhum pôster de Marx, Engels, Lenin, Trotsky, Stalin, Rosa Luxemburgo, Fidel ou Che. Nem mesmo um Prestes, João Amazonas ou Marighela. Só a bandeira vermelha do PCdoB com a foice&martelo e um banner grande com o pré candidato a deputado estadual, onde ele fazia na foto um gesto com o braço erguido na altura do peito e punho fechado. Destacava o relojão preto no pulso, lembrava propaganda de ótica. Era o mesmo relógio que ele usava.

 

Na fala do convidado, tudo a ver com o local, o Sindimetal, direitos trabalhistas: escala 5x2! Sem redução de salário! E... democracia! Sim, isso mesmo, e sem o Centralismo Democrático bolchevique ou a Ditadura do Proletariado marxiana, mas defesa da democracia representativa e da soberania, sem o Internacionalismo Revolucionário leninista ou a Revolução Permanente trotskista. Só ouvi uma vez naquela noite a palavra Marx, numa brincadeira do pré candidato.

 

Na parte cultural, sem balalaika russa, mas sim uma guitarra semi acústica típica pra jazz estadunidense. Sem Geraldo Vandré, Taigura, Dante ou hino da Internacional Comunista ou a Comandante Che Guevara, mas rock nacional e MPB setentista. Ah, um Chico rolou.

 

Gostei muito. Tava boa a conversa e o galeto mui bem assado. Valeu ter ido.

 

PS - Na foto acima, cena do filme O Jovem Karl Marx (2017).

 

Uma boa semana pra todos. Cuidem-se, vacinem-se, vivam e fiquem com Deus.

 

João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 20/07/2026
Alterado em 20/07/2026
Comentários