João Adolfo Guerreiro
Descobrindo a verdade/ sem medo de viver/ A liberdade de escolha/ é a fé que faz crescer.
Capa Meu Diário Textos Áudios Fotos Perfil Livros à Venda Livro de Visitas Contato Links
Textos

As flores da Felisberto de Andrade

 

Entrando no trecho da rua Felisberto de Andrade compreendido entre as ruas José Rui de Ruiz e Ricardo Louzada, em direção à beira do Jacuí, há um grande terreno baldio na esquina, à esquerda, cheio de mato e de entulhos, mas também com um adorável presente: belas flores.

 

Nesse trecho da rua, situado na parte primeva e, portanto, mais antiga da cidade, observamos cinco casas abandonadas à direita e três à esquerda. Numa delas, já sem teto, encontramos as mesmas flores entre o mato que tomou o terreno e também em meio aos entulhos. A beleza e a vida sobrevivem e encantam, resistem e insistem.

 

Um senhor idoso, sem camisa, trabalha em seu jardim bem cuidado, mostrando o vigor que a Felisberto ainda guarda. Charqueadas incha para o outro lado da faixa que a divide ao meio, onde casas financiadas pela Caixa estão na medida para bolsos jovens.Isso condena à solidão as residências desocupadas da Felisberto,  dentre outras da velha Charqueadas.

 

As flores são o seu atrativo, tornam-a inesquecível. Qualquer lugar onde visceja o belo é marcante. A vila mais pobre sempre será lembrada se, nela, veres um dia passar a mulher mais bonita de sua vida. Tipo a Arena no Humaitá: contrastes aguçam a percepção e destacam.

 

José foi vereador e funcionário do Caden, colega de empresa de Ricardo, enquanto Felisberto (1870/1950) foi fazendeiro, cujas terras se estendiam da beira do rio até o Centro. Os três estranhariam a Charqueadas de hoje, mas, suponho, curtiriam as belas flores.

 

Referência:

PIRES  Saldino Antônio. Histórias do povo de Charqueadas - Um patrimônio ainda desconhecido. Barra do Ribeiro: Naibert, 2012,  94 p

 

 

João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 25/02/2026
Alterado em 25/02/2026
Comentários