João Adolfo Guerreiro
Descobrindo a verdade/ sem medo de viver/ A liberdade de escolha/ é a fé que faz crescer.
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Textos

Volta!

 

Tudo fica tranquilo e silencioso quando tu não está aqui, bem do jeito que eu aprecio. Posso ler e escrever sossegado, nesta terça-feira abençoada de verão, fresca e chuvosa.

 

As coisas permanecem no lugar, o chão fica limpo, sem bagunça e sem paredes riscadas. Aliás, sem eu riscado, pintado ou cabelo penteado e preso com rabicós. Não preciso ficar preocupado em te olhar pra ver se não está se metendo numa fria, usando faca, álcool ou vidros, quebrando, escondendo ou estragando algo. As cadelas dormem profundamente, livres dos constantes banhos de mangueira. E minha conta da Corsan também agradece por isso.

 

A TV fica à disposição, posso assistir jogo do Grêmio em paz, sem ouvir reclamações ou levar sopapos de indignação. Ninguém me acorda pra falar bobagem e pedir importantíssimas coisas fúteis nos  horários mais impensáveis, improváveis e inoportunos. Aliás, ninguém fica metralhando meus ouvidos sem parar e pulando sobre mim na cama e no sofá, sem aviso. Ninguém me obriga a sair sem vontade de bicicleta, na torneira do sol, só pra comer bom-bom cor-de-rosa na Dona Idelvira, comprar enroladinho na padaria e massinha na papelaria.

 

Ah, que paz...

 

Maldita paz!

 

Danem-se leituras e escritos!

 

Volta logo, quebrando a motonia de minha gostosa vida insossa. Não sei mais viver sem tu por aqui, incomodando. Amofino. Entedio. Que falta que tu e teu sorriso tagarela fazem! Já estou com saudade.

 

Volta!

 

 

João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 24/02/2026
Alterado em 24/02/2026
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