Ontem, depois que escrevi o texto sobre o show do Mistura Fina sexta no Malte Puro, estava passando pela Casa Espirita Irmão Luiz e resolvi olhar um aviso na porta. Larguei a bicicleta, abri o portão, entrei, li e saí, quando ouvi alguém me chamar na casa vizinha. Era o Edinho Lacerda, fera do contra-baixo.
- E aí cara. Não sabia que tu morava aí.
E começamos a trocar uma ideia e eu disse que fui no show do Mistura Fina e que tava demais.
- Eu sei. Fui lá e te vi.
- Bah, não te vi. Vi o João Daniel e o André Miler por lá, mas tu, não.
Disse-lhe que iria no show da Hardest pra ver o André tocar e, pra minha surpresa, o Edison falou que ele já parou de tocar faz mais de um ano.
- Esses dias ele fez um som com a gente, depois disse que era só pra ter certeza de que não queria mais tocar. Vendeu todo o equipamento, guitarras e pedais.
Me caíram os butiás do bolso com a notícia, brochei na hora. Daí o Edinho me perguntou do Alberto "Betinho" André:
- E o Betinho, será que se consegue fazer ele tocar de novo?
- Ah, acho difícil, cara. Depois que ele se aposentou no INSS como músico, largou mesmo. Não quer mais saber.
Daí ficamos discorrendo sobre as motivações dos caras em largar tudo, dois grandes músicos, cantores e compositores, o André Miler baita guitarrista. Até lembrei de um dia, lá pelos anos 1990 - se não me engana a memória - que passei ali pela parte alta da Avenida 1 de Maio e os vi tocando juntos num barzinho, o Betinho na voz e violão e o André solando na guitarra.
O Alberto André iniciou sua carreira ainda nos anos 1980, quando lançou, pelo seminal Grupo Voz Ativa, um disco com quatro canções. Na carreira solo lançou o LP Íntimo nos anos 1990, além de vários CDS até os anos 2000 - um deles com o fera Luciano Souza -, tendo participado e vencido festivais e mostras de música. Foi também um ativista das artes, chegando a presidente do Conselho Municipal de Cultura.
André Miler tocou em várias bandas da cidade, como Rock Lord, Hardest, The Druns. Exímio guitarrista e compositor, participou com destaque na Mostra de Música Encanto da Terra. Numa dessas contribuiu com o violão slide na canção Homem Ferido, da ótima banda de blues do Edinho, do João Daniel (baita cantor e compositor) e do Eduardo Scheid, Poeira da Estrada. E também deixou a marca de sua guitarra solo em Alguém e o Tempo, de Luciano Souza.
Foi um breve resumo da carreira dos Andrés, cujo trabalho curto bastante. Com o Betinho tive a felicidade de tocar, o que me orgulha muito até hoje, pois foi a concretização de um sonho de fã. Contribuí com seu trabalho em festival, CD, show e rádio. E, junto com ele, dividi o palco com músicos feras da cidade como Paulo Alemão (bateria), Edinho (baixo), Gilson (teclado), Chocolaty (baixo) e, numa gravação de jingle, com o batera Scheid, da Poeira da Estrada e do Mistura Fina.
O Betinho já largou há anos a música, mas do André só soube agora, como escrevi acima. Bah, uma pena pra nós, fãs, mas os caras devem ter os justificados motivos deles, né? Deixarei links para quatro canções de cada um deles abaixo, das que mais aprecio, enquanto compositores ou participantes. A obra permanece. Valeu, Andrés.
Alberto André:
André Miler: