João Adolfo Guerreiro
Descobrindo a verdade/ sem medo de viver/ A liberdade de escolha/ é a fé que faz crescer.
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O Vitória, indiretamente, derrotou-me

 

Não, esta não é, como o título pode sugerir, uma crônica com críticas ao septuagenário Expresso Vitória, mas sim sobre as contingências de quem anda somente de busão por aí. E tampouco o título é lá muito inteligente e original, né? 99% dos cronistas bolariam uma obviedade dessas, o que significa que este cronista não faz parte dos 1%, o top top dos cronistas. Tudo bem, sobrevivo com isso, como Jorge Benjor: "Sambaby, sambaby, eu posso não ser um bandleader (pois é) Mas assim mesmo lá em casa todos meus amigos, meus camaradinhas, me respeitam (pois é) Essa é a razão da simpatia, do poder, do algo mais e da alegria".

 

O fato é que nos findis não há mais o A M A DO horário das 23h30min de Porto Alegre pra Charqueadas. Como descobri? Neste sábado estava na fila pra embarcar no 10h:45min Char x PoA , onde conversava com a Bruna do Clube do Livro, com um funcionário do Hospital de SJ e uma simpática e falante enfermeira do Hospital de Clínicas, esta última indo pro trambe. Pois foi ela que, papo vai, papo vem, disse que não tinha mais esse horário das 23h nos finais de semana e feriados. Putz, ainda bem que ela falou, senão eu teria de ficar em Porto Alegre num hotel ou pagar uns 150 pilas prum táxi ou uber me levar pra Charqueadolândia, a Terra do Aço, do Carvão e dos Presídios.

 

Essa informação não saiu em jornal impresso e, como sou um dos 1% que ainda lê jornal impresso, fiquei 99% por fora dessa. O fato é que iria na septuagenária Feira do Livro de PoA, depois pegaria um cinema e pretendia voltar às 23h30min do box 14 pra casa. Entretanto, seria obrigado a retonar no horário das 19h45min (no domingo o último é 21h30min), a não ser que quisesse pagar seis vezes mais pro taxi. Sim, viria de táxi, pois faço parte do 1% da população que prefere táxi a uber. Meu celular, inclusive, é velho e não possui o aplicativo do uber e nem o do Bonatto. Nesses casos, acho que também estou entre os 1% de clientes que não o possuem.

 

Mas a derrota sentida mencionada no título é que, indiretamente, isso me tirou a possibilidade de pegar um autógrafo do neurocientista Miguel Nicolelis na Feira, que autografaria seus romances Ré Volução no País do Carnaval e Nada Mais será Como Antes às 19 horas. Meu anjinho da guarda literário disse: "Se tu chegar umas quinze pras sete no lugar onde ele vai autografar, dará tempo". Só que eu encontrei a Rainha da Feira por lá e fiquei a ajudando nas filas para os autógrafos que ela desejava. Eram umas cinco e meia isso. Umas seis e pouco resolvemos escapar do calor e tomar um café num lugar com ar condicionado. Papo vai, papo vem, já era quase sete horas. Ela ainda me apresentou uma escritora no café, uma alemoazinha simpática que lembrou a Trica, então comprei um livro dela na banda dos escritores independentes. E o anjinho da guarda literário quieto, só me olhando...

 

Quando cheguei na banca dos livros do dia e comprei os livros do Nicolelis, a fila na sessão de autógrafos já estava quilométrica e impraticável, sem condição alguma de me permitir conciliar os 19h45min do box 14 com o autógrafo. Nem a Rainha, que é a Rainha, vejam só, encarou aquela fila, mesmo que fosse pousar na Capital. Dei-me mal, fui derrotado pelo Vitória e pela minha imprevidência. Daí o anjinho resolveu falar:

- Não culpa os caras, eu te avisei. Tu é que marcou bobeira. Tu é um dos 1% de cronistas privilegiados por ter anjinho da guarda literário, mas não aproveita, como 99% destes.

Não, não culparia, bem capaz! Ando de Vitória desde os anos 1970 (foto acima), quando ele recém tinha 18 aninhos e devia estar servindo o exército! Há mais de cinco décadas! Aliás, faço parte do 1% de pessoas que, podendo comprar um carro, preferem andar de busão e de táxi, por isso não reclamo de nada, foi tudo opção minha, o Vitória faz parte da família. É que carro dá prazer, mas também dá incomodação, e detesto mais me incomodar do que gosto de ter prazer. Não se incomodar é ter prazer! 

 

Bronca recebida, rabinho entre as pernas, fui pegar um táxi para rodoviária. Daí me dei conta de uma coisa: o Vitória e a Feira do Livro tem 71 anos! Nasceram no mesmo ano, 1954, aliás, mesmo ano em que o time do Renner foi campeão gaúcho e o Estádio Olímpico Monumental foi fundado. Todos septuagenários com 71 anos! Creio que, mesmo sendo um reles cronista entre os 99%, faço parte dos apenas 1% que prestaram atenção nisso. Vejam, então, que tenho lá meus méritos...

 

Uma boa semana para todos. Cuidem-se, vacinem-se, vivam e fiquem com Deus.

João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 17/11/2025
Alterado em 17/11/2025
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