Muito deve ter sido falado e escrito na internet ontem sobre os 90 anos desse fenomenal desenhista de HQ's infantis Maurício de Sousa, o pai das "mônicas": o artístico, da fictícia, a dentuça dos quadrinhos; e o biológico, da real, sua filha, Mônica Spada e Sousa, a inspiração.
Mônica é sua personagem mais famosa, a carro-chefe da Turma da Mônica, que envolve ainda Cebolinha, Magali e Cascão, sendo esses os principais dos quatrocentos que criou. Buenas, estou chovendo no molhado, né? Todo mundo sabe disso! Todo mundo já leu a Truma da Mônica. Vamos falar do nonagenário Mauricio, o aniversariante.
A Mônica nem é o seu primeiro personagem, mas sim o cãozinho Bidu, que apareceu em 18 de julho de 1959 no jornal paulista Folha da Manhã; Mônica surgiria em 1963. Logo, Maurício, ao fazer 90 anos, completa 66 de quadrinhos, com êxito absoluto, sendo o maior do Brasil e um dos maiores do mundo. Começou como repórter policial e foi perseguido, acusado de comunista. Tudo isso virou poeira do tempo em sua vida, pois já vendeu mais de um bilhão de gibis, sua empresa fatura cerca de dois bilhões de reais por ano, suas HQs vendem na casa dos milhões de exemplares mensais e isso é o que interessa. Né?
Como todos da minha idade li gibis do Maurício nos anos 1970, eles foram parte de nossa formação. Qual o meu preferido, dele? Simpatizava mais com o Cascão, mas nem lembro mais o motivo. Faz tempo... Embora não a colecione, como o Tex da Bonelli, possuo muitos quadrinhos dele, acho muito inteligente a forma como Maurício desenvolve suas histórias e personagens, sob os mais variados pontos de vista. Estudo Maurício e sua obra, comprando e lendo seus gibis e buscando captar a concepção, a pesquisa, o método e o trabalho que a embasa. Mestre! Gênio? Acho que sim.
Penso em Maurício de Sousa como um dos maiores artistas brasileiros da segunda metade do século XX e da virada para o XXI. Ele se consolidou e continua relevante. Incrível isso. Superlativo. Nos anos 1970 - 1980 a criançada e os adolescentes liam direto gibis, uma variedade enorme e eu devorava de tudo. Do nacional, Maurício e a Mônica imperavam. Lia mais Homem de Ferro, Homem-Aranha e Capitão América, mas a turma da Mônica era onipresente nas bancas de revista, impossível passar despercebida.
Não vi na mídia impressa uma grande repercussão de seu aniversário. Nos jornais de sábado e no de segunda-feira, só uma pequena linha, uma notinha, sem foto, ontem. Acho que sua obra na seara da cultura e do entretenimento popular merecia muito mais, pois o que ele construiu ao longo de mais de seis décadas não é pouco. Todavia, está nos cinemas a sua cinebiografia (do filme vi matéria sobre, dias atrás, no Fantástico e nos jornais), o que, por outro lado, não é pouca coisa, também. E, obviamente, sua empresa lançará gibis específicos marcando a data.
Fica aqui o meu abraço para o longevo Maurício de Souza, em seu aniversário. Abraço e agradecimento por sua arte. Valeu, Maurício!
