No início da tarde de sábado lá estavam eles, na frente do supermercado, esperando alguém, os sete cachorros. Uma cena bem diferente. Parei para registrar, claro. O cronista deve aproveitar as ofertas do cotidiano no exato momento quando elas aparecem.
Claro, deviam esperar seu provedor ou provedores. Tirei uma foto de fora do super e outra de dentro. Um dos cães não saiu na foto, afastou-se dos outros. Então ouvi a voz de alguém que estava passando no caixa.
- Não quer tirar uma foto minha pelado, também?
Quase respondi que, se ele fosse nu pra junto com os cães, tiraria. Entretanto, aprendi que esse tipo de coisa a gente ignora, pois se estica a conversa sempre dá merda. Continuei fotografando os simpáticos doguinhos. Lembraram-me do Oscar, que sempre trazia uns cães consigo, e um outro senhor que, igualmente, possuía um estafe canino que o acompanhava. Mas o Oscar já morreu e o outro senhor só está com um agora, o vi na lancheria da rodoviária esses dias e perguntei pra ele.
- Não quer tirar uma foto minha pelado, também? - insistiu o cara.
Ai, meu saco - pensei. Continuei ignorando o nudista e fotografando. Vai que o cara queria mesmo ser fotografado pelado, né? Imagina? Bem capaz! Se fosse a Luiza Brunet com 20 anos, buenas, aí dava pra pensar no caso. Mas esse não era o caso, ali, naquele momento.
Foi sair o nudista pela porta e os cães levantaram mais que depressa e o seguiram. Era ele o provedor, estava explicado sua implicância, não gostou que estivesse fotografando seus bichos, isso o desagradou por algum motivo qualquer. Ainda repetiu mais uma vez:
- Não quer tirar uma foto minha pelado, também?
Poderia indicar ele pro Claudinho Fotógrafo, que faz um trabalho de fotos artísticas. Vai que ele se interessa, não é mesmo? Ia ficar algo bem diferente e inusitado, embora o Claudinho só faça fotos artísticas femininas.
