Ô Charqueadas, cidade querida
Hoje é teu aniversário
Abre os braços dessas ruas
Que hoje são todas irmãs
Deixa o sol de março
Brincar no riso das tuas manhãs
Fez uma bela manhã de sol nesta sexta-feira, repararam?
Ah, a memória, traiçoeira e enganadora memória...
Estava quinta-feira na Câmara de Vereadores de Charqueadas, acompanhando a sessão especial comemorativa ao aniversário de 43 da cidade, que aconteceu hoje, 28 de março. Dentre os homenageados, Chiquinho, o "mestre vereador". Vi também na plateia o Binho, usando bengala. Os dois são remanescentes da primeira legislatura, eleita em novembro de 1982, ano da emancipação. Além deles, dos nove eleitos naquela ocasião, o Carlinhos Pfingstag ainda está vivo. Do Executivo, o Anápio faleceu e o Pedro Abel (do qual fui aluno no CNEC) ainda está por aqui.
Ah, a memória, traiçoeira e enganadora...
E da Comissão Emancipacionista? Da executiva, nenhum está vivo, creio. Do conselho fiscal, Celso Kassick, Saldino Pires e Binho, até onde tenho conhecimento.
Ah, a memória, traiçoeira...
Onde eu estava em 1982? Fazia quatro anos que nos mudáramos da Colônia para Charqueadas, "cidade vizinha". São Jerônimo era de outro planeta, tipo assim o Império do Mal opressor. Estudava junto com minha prima Paula no Cruz de Malta do diretor Cláudio "Tigrão", da professora de matemática Arani, de educação física Zé Olavo (o rezador), de português Itália, de biologia Nerina (que me pegou colando), de história Maria Edi e da loira e bela Ana Leci, de geografia. Estávamos na oitava série. Eu e a Paula fomos colegas de classe desde o primeiro ano do primário, na Ramiro Fortes de Barcellos, na Colônia. Oito anos!
Ah, a memória...
Não recordo da emancipação, nem vagamente. Da eleição, sim. Estávamos em sala de aula, no corredor que dá pra avenida Cruz de Malta, fundos da escola, e uma colega bonitinha falou do Aldo "Baratão", lamentando que havia feito mais votos pra prefeito, mas derrotado por Anápio pelo somatório da legenda do MDB, com a Afonsina e o Mareu. Então eu que, por muito tempo em minha vida, falei antes de pensar, tasquei, provocativo:
- Aldo Cachorrão.
A colega ficou fula comigo e retrucou algo que me escapa à memória. Porque fui falar aquilo, oras? Logo do seu Aldo, boa gente. Mas guri de merda é guri de merda, né? Nem sei mais porque disse, suponho que por ser simpatizante do Anápio e seu bigodão de Sarney e refratário ao PDS (partido de Aldo) e à ditadura, dos quais ouvia falar mal.
Ah, a memória...
Pois estava ali ontem, na sessão do Legislativo Municipal, observando o Chiquinho e o Binho e pensando nessas coisas. Bah, daqui sete anos já será o cinquentenário da emancipação de Charqueadas!!!!! Chamou minha atenção a ausência de representação do Executivo e a falta de quatro vereadores.
Ah, a memória, traiçoeira e enganadora memória, que turva o passado, tumultua o presente e embanana o futuro.
Daqui sete anos será o cinquentenário de Charqueadas!!!!! Seu Saldino publicará um livro especial sobre o evento? Estará, então, com 87 anos, mas acredito que somente ele poderia fazer isso com a devida propriedade.
Ao final da sessão falei com o vereador Gilvan Pinheiro, que também foi nosso colega de aula naquela turma do Cruz de Malta. Disse-me que não se formou conosco, pois rodou na sétima série. E acrescentou que fomos a primeira turma do Cruz de Malta, então recentemente criada, a concluir a oitava série. Nisso eu sei que o Gilvan se enganou, eis que havia uma turma na nossa frente, onde estudava o Alex "Zoiúdo", filho da professora Maria Edi e irmão do Anderson - ambos seriam meus colegas de serviço, junto com o Chiquinho. Essa foi a primeira turma do Cruz, não a nossa. Vai que o Gilvan estudava com eles, rodou e se formou com a gente, como lembro? Daí a traiçoeira e enganadora memória é a dele, não a minha.
Daquela nossa turma do Cruz saiu gente pra política municipal. Além da Paula e do Gilvan, também o Abrelino, que infelizmente não se reelegeu ano passado.
Foi boa a sessão especial, curti muito, uma ótima noite que, pra finalizar, fomos comemorar no Califórnia, visto que minha irmã, Maria Emília, foi uma das homenageadas, por proposição da Paula. Foram igualmente homenageados a querida médica Rosângela Dorneles (proposição da profª Rose), o Chiquinho, o Joir, o Valdemir da Valtec, a professora Erenita, o doutor Fernando, o mecânico Inácio, a tradicionalista Lorena Pires e o artista plástico Curió, este último ausente por estar hospitalizado.
Ah, a memória, traiçoeira e enganadora memória, que turva o passado, tumultua o presente e embanana o futuro. Com estará ela em março de 2032? Como diz o Bira da Colônia e da Cohab, "emboras lá pra vê". Quem viver, verá.
FELIZ ANIVERSÁRIO, CHARQUEADAS!
Um bom findi pra todos. Cuidem-se, vacinem-se, vivam e fiquem com Deus.