Crônica solta ao vento
Quando você vai embora eu fico sozinho em casa. Não digo que eu sinta a tua falta, mas mentiria se dissesse que não é melhor quando tu está por aqui. Sei que tu sempre volta e isso dá segurança e paz. Sei que tu precisa de um tempo. Também preciso de um tempo. Todo mundo precisa de um tempo. Tu já me disse que me ama e isso basta. Sem dramas e encheção de saco, ficar inventando sofrimento, como alguém me disse.
Fico fuçando na biblioteca, mexendo nos livros, revistas, memorabilia, lembranças. Lembranças. Passado. História. Quando a história determina o presente tem algo de errado. Acho que ouvi ou li isso em algum lugar e sei que concordo. O passado inspira o presente. Ponto. A gente olha pra trás e bah, tem umas ideias e dicas. O passado está distante do futuro e o presente, onde vivemos, ao lado dos dois, fazendo o meio de campo. Sem essas de ligação direta. O futuro passa, sempre, pelo presente. É camisa dez na seleção, como na canção. O argentino quis inventar ligação direta no Grêmio e o Inter foi campeão: o futebol como metáfora para a vida.
Ontem vi os argentinos meterem 4x1 na seleção. Que goleada. Achei que seria 5x1, como a Colômbia meteu neles décadas atrás. Olhei aquela camisa azul, preta e branca e quase gritei "Dá-lhe, Grêmio". Ontem tomamos 4x1 e hoje o Mito levou 5x0. Um banco não quis dar estágio para a Tainá, em Charqueadas, porque ela é cega, mesmo tendo passado na seleção. Sua mãe postou no Facebook o fato e compartilhei. E o artista plástico Curió tá no hospital e pedindo ajuda no Facebook. No pagamento darei uma força. Curió, dentre inúmeras coisas, fez a capa do CD Outros Tempos, do Alberto André, bem estilo surreal.
Ia amarrar essa crônica no final, ligando todos os pontos, mas de repente achei que ela fica mais legal assim, solta, como a vida, o vento e os passarinhos. Aliás, uma crônica solta ao vento. Abaixo, uma divulgação para o livro dos Conteiros de Charqueadas, que está aberto para apoiadores. Até amanhã.