João Adolfo Guerreiro
Descobrindo a verdade/ sem medo de viver/ A liberdade de escolha/ é a fé que faz crescer.
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Na tarde quente de segunda-feira, início de outono

 

Embora a temperatura não esteja altíssima como nos recentes picos do verão, levar a guriazinha pro colégio de bicicleta às 12h50min nesta segunda-feira já exigiu um pouquinho de destemor. Na vinda, aproveitar e passar na lancheria pra pegar o jornal, no supermercado pra umas compras básicas e depois na cafeteria ao lado para uma leitura com café.

 

Chegando no super, na cabeça o pensamento sobre o banquinho de praça que tem lá dentro, na entrada. Ainda estará lá? Faz tanto tempo que não o uso que nem sei. Na entrada não está. Trocaram de lugar, o encontrei na outra ponta, perto do caixa eletrônico. Tem uma gremistona sentada lendo uns polígrafos, a baixinha aquela de olhos claros e de cabelo bem crespo e bem branco, estilosa. Acomodo-me ao lado e dou um "Boa tarde, Tricolor". "Oi, estou aproveitando pra ler uns polígrafos". Tu vê, ela vem sentar no mercado pra estudar, deve ser pra aproveitar o ar condicionado, sei lá. Antes da pandemia eu ia no shopping pra escrever no fresquinho. Saquei que não queria ser interrompida e só retruquei: "Isso aí, vamos dar uma lida". Acho que não percebeu que eu havia sacado o lance dela, pois devolveu pra reafirmar sua intenção: "É, cheguei e não vi aqui fulana, a vovó que fica conversando comigo e me atrapalhando". Tudo ok, nem respondi, apenas assenti com a cabeça.

 

Descansei um pouco, aclimatei e coloquei a mão no bolso. Cadê o cartão? Putz, esqueci em casa, na pressa pra guriazinha não chegar atrasada. Tive de sair do nirvana climático e enfrentar o umbral ensolarado pra buscar. Passo e vejo o caramelo aquele da outra crônica, do sábado de Carnaval, deitado, aproveitando o ar. Fotografo o cão. Fui, voltei, comprei, saí pra passar na cafeteria, e o Caramelo ainda imóvel, no super. Chego tipo uma e meia e só tá o responsável pela cozinha. "Um café e dois pães-de-queijo mega assados?" - pergunta, ao me ver entrar. Sabe de tudo. Traz as coisas após uns minutos e ficamos trovando. Entra um cara e vai até o balcão. Parece um policial civil. Queria saber das câmeras de segurança, pois teve uma briga no sábado por ali e buscava as imagens. Sim, era um policial civil.

 

- Morreu alguém? - perguntei.

- Não, só briga - respondeu.

- Bah, sábado, dia de namorar e os caras trocando soco - comentou o cozinheiro.

Sorrimos, os três.

- É mesmo, em vez de arrumar mulher, arrumar briga, eh eh eh - acrescento.

- Cada um que tem por aí.

- Cara, dá uma cerveja, vamos comemorar na segunda de tarde pelos caras que brigam em vez de namorar no sábado de noite.

 

O policial sai. Continuamos nossa conversa, de boa, refrescados pelo ar condicionado. Clima e temperatura. Ele prefere o verão; eu, o inverno. Cada um dando os seus motivos e contando suas histórias. Chega o garçom.

- E daí tchê, o que tu prefere: verão ou inverno?

- Inverno - responde.

Inverno 2x1 verão.

 

Saio e passo no serviço do meu fornecedor de livros usados, o Wagner, pra buscar duas encomendas. Uma boa edição capa dura de A Guerra dos Mundos e uma de contos sobre canções de Chico Buarque. Volto pra casa, ligo o ventilador e deito. Hora de buscar a guriazinha. Passo pelo Terminal Rodoviário e tem um cara deitado na rua, com a cabeça sobre a calçada, com três brigadianos na volta. "O que houve aí?" - pergunto pra uns operários sentados a esperar seu busão."Tomou um porre e caiu desmaiado". Tem os que brigam no sábado de noite e os que bebem até cair na segunda de tarde.

 

Chego em casa pra escrever. Está uma boa e movimentada tarde quente de segunda-feira, início de outono. Viver é muito bom. Né, Caramelo?

 

Uma boa semana para todos. Cuidem-se, vacinem-se, vivam e fique com Deus.

 

 

João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 24/03/2025
Alterado em 24/03/2025
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