De 2016 pra cá, o Grêmio conquistou, ao menos, um título por ano. Mesmo com a perda do Gauchão 2025, o Tricolor pode beliscar ainda ou uma improvável Sul-Americana ou a provável Recopa Gaúcha em jogo contra o São José, que ainda não possui data. Todavia, com a derrota no regional e o fim do sonho do octa, a Recopa seria só um lanchinho, pra constar, mas é título e dá faixa no peito, medalha no pescoço e taça no armário. Ano que vem não a terá.
Em 2016 veio o penta da Copa do Brasil e o início da Era Renato, Roger, Geromel, Kannemann, Romildo e Guerra. Sim, Renato e Roger. Roger pegou o time do Felipão em 2015 e o passou pro Renato em 2016, iniciando o período fértil, nunca esquecendo que Roger foi treinado por Felipão e iniciou sua carreira na casamata como auxiliar de Renato. Roger ainda comandou o Grêmio na segunda divisão nacional e no Penta Gaúcho. Agora, o próprio Roger a fecha, a frente do Inter, e sem Renato na casamata gremista.
Mas voltando à cronologia, em 2017 o Imortal foi Tri da América, em 2018 a Recopa Sul Americana e, desde esse ano, os gauchões e algumas recopas gaúchas. O Grêmio, 55 anos depois, voltou a ser heptacampeão estadual, pela segunda vez em seus 122 anos. Feito histórico alcançado ainda sob a batuta de Renato, ano passado. Geromel chegou em 2014 e Kannemann em 2016. Nesse período vitorioso, Romildo foi presidente e Guerra vice de futebol e presidente. Depois que Geromel se aposentou ano passado, restam Guerra e Kannemann.
Durante esses anos, tivemos um impeachment presidencial, a prisão de um ex-presidente de esquerda, o Novo Hamburgo campeão gaúcho (2017), a chegada ao poder da extrema-direita, uma pandemia, a volta ao poder do ex-presidente preso, a primeira reeleição de um governador no RS, uma tentativa de golpe de Estado, uma enchente histórica e, finalmente, a inelegibilidade, indiciamento e possível prisão do outro ex-presidente da extrema-direita. Em todo esse tempo, com tudo isso acontecendo, os gremistas vá levantar taça, todo ano, enquanto o seu rival citadino amargava o maior inferno astral de sua história, ou seja, oito anos sem títulos, pela primeira vez.
Nesse período, além da Copa do Brasil, da Libertadores e do histórico hepta, a presença do grande craque mundial Luisito Suárez marcou demais. Sua passagem pelo Grêmio em 2023 foi histórica, só não abrilhantada por um título do Brasileirão por um pênalti roubado do Grêmio contra o Corinthians no Itaquerão - tinha de ser. Todavia, os ciclos terminam, na vida e no futebol.
O que vem, geralmente, após o fechamento de um ciclo? Um período de vacas magras, como no sonho que José do Egito decifrou para o faraó, na Bíblia. Se analisarmos a história da rivalidade GreNal, isso fica claro. O Grêmio ganhou treze títulos regionais dos quatorze disputados entre 1956 e 1968, quando então iniciou a recuperação do Inter, atingindo o feito ainda inédito do octa, além do bi nacional. Em 1977, o Grêmio interrompe o ciclo colorado e avança para o primeiro Brasileiro, a primeira Libertadores e o Mundial. Logo, o fim do ciclo Gremista, hoje, pode representar um para o Inter? Pode, mas são outros tempos e, cada tempo, possui sua própria determinação histórica.
Mesmo que o Grêmio vença a Recopa Gaúcha e ano que vem recupere o estadual, mantendo a média de pelo menos uma taça por ano, a perda da oportunidade do octa fecha, a meu ver, indubitavelmente, um ciclo de feitos vitoriosos históricos. Desta forma, 2026 tende a ser um ano de recomeço. A não ser que uma muito improvável Sul-Americana ou dificílima Copa do Brasil aconteça. Bom, daí minha avaliação terá de ser revista, claro.