O título colorado no domingo escancarou uma verdade por muitos negada: o Gauchão é um título importantíssimo, assim como todos os estaduais deste gigante país continental chamado Brasil. Um certame aguerrido, tal como no enorme óleo sobre tela Rixa Gaúcha (1952), de Ernesto Scheffel, para o qual Paixão Côrtes, do Laçador, também posou.
Vejam bem, o Rio Grande do Sul tem uma população do tamanho da de Portugal e mais que o dobro da do Uruguai. Logo, é um país, praticamente. Tamanho, riqueza e população para tal obviamente possui. Assim, porque desvalorizar a competição regional? Absurdo total! O Gauchão equivale, portanto, a um título nacional. Daí sua importância.
Claro, Grêmio, Inter e Juventude possuem títulos nacionais e internacionais e isso define a grandeza do futebol gaúcho no Brasil e no mundo. Todavia, uma coisa não anula a outra. "Ah, mas Grêmio e Inter não ganham nem ganharão mais títulos importantes por um bom tempo e só sobrará mesmo o Gauchão". Sim, e daí? O que uma coisa tem a ver com a outra? Nada. O certame estadual deve ser priorizado, sempre, por seus próprios predicados, ponto. Se no Brasil a diferença de grana entre os clubes vai aprofundar ainda mais a distância dos grandes clubes de Minas, Rio e São Paulo dos demais, isso só demonstra a importância e necessidade dos regionais. Isso não é se apequenar, mas o contrário: se valorizar, valorizando o que se tem nas mãos.
"Ah, mas só Grêmio e Inter de fato disputam o Gauchão". Ok. Quantos clubes, de fato, disputam o Espanhol? O Português? O Francês? O Alemão? O Escocês? O Inglês? Viram, isso também não é motivo. Por aqui, recentemente, nos últimos 30 anos, tivemos Juventude, Caxias e Novo Hamburgo campeões, sem contar as inúmeras vezes em que uma equipe do Interior chegou na final. Nas últimas três antes de 2025, o Inter não esteve, por exemplo.
Valorizemos, pois, como a realidade está insistindo em nos indicar, o Gauchão, o campeonato mais difícil do mundo.