João Adolfo Guerreiro
Descobrindo a verdade/ sem medo de viver/ A liberdade de escolha/ é a fé que faz crescer.
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Cansaço, rendição, egoísmo e insensatez

Estamos no início de uma hecatombe, paredão ou tsunami de casos - escolha o superlativo de sua preferência, pois todos servem - de Covid-19 no Brasil, no Rio Grande do Sul e na região Carbonífera e cidades, assim como vemos no mundo, principalmente na Europa e Estados Unidos. O que assistimos por lá, inexoravelmente, virá para cá, em grau menor ou, até mesmo, maior, eis que estamos na fase inicial, ou seja, aumento colossal de casos e profissionais das mais diversas áreas começando a fazer falta em suas funções, por estarem afastados em virtude de positivados pela doença. Meno male que estamos em período de férias escolares e futebolísticas, além da vacinação infantil já ter data marcada para início.

Porque, mais uma vez, mesmo com os avisos antecipadamente vindo de fora, repetimos os erros das outras ondas e não conseguimos nos precaver? "Porque [como diz a canção] ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais". É só reparar no comportamento das pessoas nas ruas, no trabalho e nas casas para ver que um número considerável delas, em parte, não estão, e, em parte, não querem estar preparadas para uma realidade que é, de fato, muito maior do que nós: a pandemia e suas consequências sobre nossa vida social, profissional e familiar. Uma parcela tem noção total do que acontece e apresenta força para manter a guarda; uma parcela maior já se rendeu, em parte ou totalmente, entregando tudo ou nas mãos de Deus ou nas da ciência e das vacinas - ou nos três. Então, roguemos: que Deus, a ciência e as vacinas nos guardem!

As pessoas estão cansadas agora assim como uma mãe que, tendo de cuidar do filho bebê e da casa simultaneamente, por vezes se sente muito estressada e irritada e, algumas vezes até, surta. Ou como quem cuida de um parente doente crônico ou terminal muito sequelado ou fraco, coisa que exige muito e, por vezes, leva o cuidador familiar ao limite de suas capacidades físicas, emocionais e psicológicas. A vida pode ser muito dura e a pandemia a torna mais dura ainda para todos. E então a história, como jogada ensaiada, novamente se repete, após mais um dezembro de final de ano e boas festas: avalanche de casos e perspectivas sombrias. Muito disso, também, em função daqueles que, movidos pelo hedonismo egoísta, buscam seus prazeres sem freios, pois sabem que não estão nos grupos de risco dessa doença - não esqueçamos que 80% dos mortos até aqui são idosos acima dos 60 anos. De fato, tudo se resume na noção de que as pessoas não querem, de forma alguma, abrir mão do "normal" de sua vida cotidiana, seja pelo motivo que for. Tudo o que as afasta do "normal" os leva ao cansaço, à rendição, ao egoísmo e à revelação de sua insensatez.

A proporção de mortes e hospitalizações em UTIs ainda não acompanha o paredão de casos devido - graças à Deus e à ciência - às vacinas, tão criticadas por setores negacionistas que difamam a ambas e minimizam os efeitos mortais da pandemia, como é o caso renitente de nosso lamentável e imperdoável governo. E escrevi "ainda" porque, na Europa e nos Estados Unidos, à medida que os casos avançam para (principalmente) não-vacinados e (secundariamente) vacinados dos grupos de risco, as mortes começam a aumentar de uma forma, como se diz hoje, "preocupante", um eufemismo para o popular "ih, isso vai dar merda": até aqui, em 80% dos casos, em média, para pessoas sem imunização ou com imunização incompleta. Alguns analistas científicos dizem inclusive que podemos experimentar em fevereiro e março de 2022, quantitativamente, o mesmo que vimos em março e abril de 2021 em hospitalizações e óbitos, devido a superlativa quantidade de contaminação que ocorre e ocorrerá.

Nesse prognóstico possível e indesejável - torçamos para que não se concretize -, as hospitalizações e óbitos do "paredão" de 2022, mesmo em quantidades próximas as da "onda" de março de 2021, seriam baixas em proporção ao número de casos de 2022, já que em 2021 esses números não tiveram a dimensão estratosférica que estamos vendo com a Ômicron e ainda, muito provavelmente, veremos, além de hoje termos vacinas e pessoas imunizadas, algo incipiente em 2021. A Universidade de Washington estimou recentemente que até 23 de janeiro o Brasil apresente um milhão de casos diários, chegando ao ápice de um milhão e trezentos mil em meados de fevereiro, algo semelhante ao que vemos hoje nos EUA. Todavia, os detratores de plantão das vacinas vão dizer que isso é prova de que elas não funcionam e de que eles e suas fake news a-científicas é que estavam certos. E por que muita gente vai acreditar nisso? Devido às pessoas preferirem uma mentira que atenda a seus medos, ideologias e interesses políticos e econômicos do que uma verdade incômoda, reveladora e desmascaradora. Isso. Uns mentirão devido acreditar ser a mentira algo mais reconfortante para seus corações e mentes do que a verdade; outros, porque desacreditar a realidade é fundamental para encobrir seus reais interesses de manutenção de poder e lucros; outros, por pura insensatez. E tudo isso poderá ocorrer nas pessoas separado ou misturado, dependendo do indivíduo, uma coisa ou outra predominando. Para muitas, essas vidas sacrificadas na pandemia não passam de baixas aceitáveis de gente fraca. Monstros existem e estão por aí, debaixo do sol, dizendo as barbaridades que pensam sem pudor, compostura ou constrangimento algum, sob aplauso de uma minoria barulhenta que, amiúde, ainda tem capacidade de complicar as coisas e fazer muito mal à sociedade como um todo com a concretização cotidiana de seu egoísmo cruel.

Como ajudar a evitar isso tudo ou ao menos se proteger? Da mesma forma que desde o início da pandemia, só que agora de forma redobrada: vacina vacina vacina (a única que, de fato, salva vidas nesse momento), máscara máscara máscara, distanciamento social distanciamento social distanciamento social e higiene pessoal higiene pessoal higiene pessoal. No quadro atual, evitar o paredão ou se manter totalmente ileso a ele, pelo que estamos vendo na realidade, possivelmente será árduo, mas somente aqueles que se cuidarem muito estarão entre os que o conseguirão - e espero que sejam muitos.

Enquanto isso, vivemos há um mês um inaceitável e criminoso apagão de dados sobre a pandemia no Brasil, em virtude de um ataque hacker cômodo para os que desejam mascarar a realidade em benefício próprio. Tenho absoluta certeza de que tudo isso será julgado, no curto prazo, pela Justiça e, no longo prazo, pelo o que Jorge Luís Borges chamou de História universal da infâmia.

Cuidem-se e fiquem com Deus.
João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 13/01/2022
Alterado em 13/01/2022
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