João Adolfo Guerreiro
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Coronel Leão e o Dia do Charque

Na terça-feira, 17, foi aprovado pelos vereadores de Charqueadas o Projeto de Lei Legislativo 027 - 2021, de autoria da parlamentar Paula Ynajá, que estabeleceu 18 de setembro como o Dia do Charque no município. O dia se refere a data em que o coronel José Manuel Leão, charqueador e líder farroupilha, foi morto por tropas imperiais em sua charqueada, próxima à confluência do Arroio dos Ratos com o Rio Jacuí, em 1839.

Quando o jornalista e historiador charqueadense Saldino Antônio Pires destinou à história do coronel Leão (1788-1839) o segundo capítulo de sua referencial monografia "Charqueadas: sua origem, sua história, sua gente" (Folha Mineira, 1986), iniciou o necessário resgate desse importante político, militar e empreendedor nascido em laguna e que veio, ainda criança, para Triunfo, cidade vizinha de Charqueadas. Assim, hoje, a data estabelecida pelo Legislativo Municipal, além de fazer a devida homenagem a - junto com o político, médico e charqueador Ramiro Barcellos (1851-1916) - um dos grandes personagens da história de Charqueadas, junta duas faces de uma mesma moeda: o charque e a Revolução Farroupilha. O preço do charque foi o estopim da revolta armada gaúcha e Leão era o quarto na lista dos réus no processo aberto pelo Império contra os insurgentes.

A produção do charque, que geraria a denominada indústria saladeril, foi introduzida no Rio Grande do Sul em 1634 pelo padre Cristovão de Mendonça, conforme Pires. Basicamente, o charque era produzido colocando-se mantas de carne salgadas a secar ao sol, sobre varais (vide foto acima, referente a uma charqueada na cidade do Bagé - RS). Com a chegada da refrigeração, essa forma de conservação de carne entra em declínio: em 1917 é inaugurado o Frigorífico Rio-Grandense, em Pelotas. No final da década de 1930 tal indústria definitivamente acentua sua crise e decadência.

Agora é esperar que o Dia do Charque se estabeleça no calendário cultural de Charqueadas e no imaginário popular, tornando-se emblemático durante a Semana Farroupilha e reforçando a biografia desse líder que deu a vida pelo movimento e que, paradoxalmente, não nomeia rua, avenida, praça, escola ou CTG na cidade onde tombou em combate.


PS - Faço questão de ressaltar um equívoco que há muito é repetido: atribuir-se, erroneamente, a paternidade do famoso dramaturgo triunfense Qorpo Santo (1829-1883) ao coronel Leão. A propósito, para os interessados, deixo artigo do genealogista Diego de Leão Pufal para o jornal Portal de Notícias sobre o assunto, intitulado "Qorpo Santo: um pouco de suas origens" - https://www.portaldenoticias.com.br/noticia/899/qorpo-santo-um-pouco-de-suas-origens.html
João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 19/08/2021
Alterado em 19/08/2021
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