João Adolfo Guerreiro

Descobrindo a verdade/ sem medo de viver/ A liberdade de escolha/ é a fé que faz crescer.

Textos


Todo o dia é dia de alguma coisa

Todo o dia é dia de alguma coisa. De um santo ou santa, de alguma profissão, do aniversário de alguém ou de algo. Existem mais coisas e pessoas do que dias no ano, isso é certo. Hoje, dentre toda essa barafunda diária infinita, é o Dia Nacional do Livro. É, nacional, porque tem um mundial, também - mais isso. Buenas, mas o que me leva a escrever essa crônica hoje é o dia brasileiro do livro, que existe há 210 anos, desde quando, em 1810, Dom João VI criou uma biblioteca por aqui ao dar no pé de Portugal para fugir de Napoleão, vindo morar no Brasil trazendo sua família, seu ouro, seu séquito, suas perucas, seus piolhos e também seus livros.

Eu ainda tenho cabelo e também já tive piolhos - ouro nunca -  e gosto de livros e gosto de ler livros - os de papel, não os virtuais, argh (cada louco com as suas manias). Tu também? Sim? Tri. Não? Está perdendo o teu tempo aqui, pois só vou falar de livro de papel. Ou não tá perdendo, sei lá, tu é que sabe, né? Quem sou eu para te dizer o que fazer, caro leitor? Eu leio livros e possuo uma biblioteca em casa cheia deles e de gibis. Podia estar comprando trago, cigarro, celular de última geração, roupa de marca, carro do ano, assinando TV paga, todas essas drogas, mas não, compro livro pra ler. Curto esse lance, sabe? Sentar na minha poltrona reclinável, sentir o aroma do café preto passado no pano e imergir nas páginas de um livro. Sentir o cheiro e a textura do papel, como se fossem senhas de acesso de um portal literário para outra dimensão. Uau syl, me puxei, agora. Pareço um poeta.

Entretanto, poemas não são minha preferência. Leio alguns e até "cometo" alguns às vezes, mas aprecio sobretudo livros de crônicas. Crônica, adoro ler e escrever crônica. Depois história, romances, autobiografias, biografias e uns contos aqui e uns poemas acolá. Tudo isso em livro de papel, claro. Conjecturo que, de tudo que é impresso que existe hoje - jornal, revista, etc - apenas os livros e os gibis sobreviverão, pela praticidade que essa mídia tem: tu só precisa da luz do sol para ler, só isso. O resto, o mundo virtual engolirá e babaus. Só os gibis e os livros - e as traças, porconseguinte - resitirão nas livrarias e nas bibliotecas públicas e particulares. 

Então hoje é o Dia Nacional do Livro. Merci beaucoup, Napoleão. Se não fosse por ti, não o teríamos e eu escreveria uma crônica sobre outra coisa nesse 29 de outubro. Buenas, pra finalizar, informo que os livros da imagem acima são produção local, daqui de Charqueadas, ou livros nos quais literatos charqueadenses participam. E deixo uma dica: se tu fores ler apenas um livro nacional na tua vida, sugiro que seja Grande Sertão: Veradas. É a nossa joia mais preciosa, na minha opinião.
 
João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 29/10/2020
Alterado em 29/10/2020


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