João Adolfo Guerreiro

Descobrindo a verdade/ sem medo de viver/ A liberdade de escolha/ é a fé que faz crescer.

Textos


Chuva e vento de setembro

Gosto de observar a natureza, quieto, só eu e ela. Setembro é o mês que mais gosto, por causa do clima e das flores da primavera que chega. Geralmente é um mês em que chove muito. E água é vida.

Os trovões ressoam pelo céu chumbo e o vento balança suavemente as folhas das árvores nesse final de manhã. Esse momento é belo e eu existo e estou nele, como cantou o cantor e poetou a poeta. As gatas miam pedindo comida. Gatos são muito bons nesse lance de ter fome e pedir pra comer. E são honestos: tu dá comida pra eles e eles se aquietam. Já os cachorros ficam só parados, te olhando, tocando tua consciência, lembrando de tuas responsabilidades, de que eles existem e precisam comer. Gatos não, são diretos: "Tá, e daí, cadê minha ração? Tô com fome! Te mexe, humano mocorongo". Gatos se adonam da gente, eles acham que tu é um gato grande.

Tem três que são do vizinho, mas que sobem no muro e ficam pedindo comida pra mim quando percebem o agito gastronômico por aqui. Estou escrevendo e eles ali, miando e me olhando. Enquanto não os atendo não param de me olhar. Não resisto, claro. Os nomeei de Ivone, Dione e Ivã, nomes da minha mãe e de seus irmãos. São, pela ordem, os da foto acima, que está ruim e é do início de abril, mas é o que temos para esses momentos de pandemia. Aliás, são crias da pandemia, pois nasceram no final de janeiro. Os gatos gostam de mim e eu gosto deles. Gatos sacam se tu gosta deles e te dão confiança, principalmente se tu liberar regularmente um rango para eles. Daí eles te tiram para camarada.

Gosto de gatos, de setembro e de dias de chuva e vento suave, quando a temperatura está amena. São coisas dessa vida que muito aprecio, dentre outras, como minha mãe e meus tios. O tio Ivã já é falecido - era um cara muito legal, um exemplo e uma referência -, a tia Dione é bonita e perfumada, adoro cheirar o cangote dela e fazer cosquinhas. Acho que ela gosta de eu fazer isso, pois nunca me xingou e ela é querida mas é braba, que nem a gata batizada com seu nome. Sinto falta de cheirar o cangote dela, mas é pandemia, né, e a tia Dione já passou dos 70 e tá na casa dela, em isolamento social. De vez em quando ligo pra ela, faço umas chamadas de vídeo - o celular dela é péssimo, realmente terrível -.

Então tá, era isso que eu tinha pra falar hoje. "Cada dia conta", como disse o Di Caprio em Titanic. Ih, mas esse morre congelado no final do filme! Tá, dane-se, não vou censurar o cara em minha crônica, vou é tomar o meu pretinho recém passado que a minha "Rose" está trazendo. E dar comida pra mãe e pros tios, que ainda estão me pressionando como o Dinho fazia com os caras nos bons tempos daquele Grêmio do Felipão, em meados dos anos 1990. O Valber, do Palmeiras, deve lembrar e ter pesadelos até hoje.

Fui. Fui não, fico. Fiquem em casa, fiquem com Deus, pessoal.
João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 03/09/2020
Alterado em 03/09/2020


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