João Adolfo Guerreiro

Descobrindo a verdade/ sem medo de viver/ A liberdade de escolha/ é a fé que faz crescer.

Textos


Eu vi esse time jogar

Ao vivo. Não no estádio Beira Rio, mas sim na TV, que só fui a estádio depois dos 25 anos. E em preto e branco, que também só vi televisor colorido na Copa do Mundo de 1982, na residência da minha tia, na Cohab (atual Sul América), em Charqueadas. Lá em casa havia apenas uma Telotto valvulada P&B, onde assistia os jogos do Inter de 1979 pela TV Gaúcha, canal 12.

De cabeça, sem espiar no Google ou em jornal, lembro de muitos atletas daquele time: Falcão (o bola-bola do jornalista Lauro Quadros), o goleiro Benitez, os Mauro’s (Pastor e Galvão), Batista, Bira Burro, Jair, Valdomiro, Mário Sérgio e Chico Spina. E olha que eu já era, desde 1977, gremista. Aliás, o Grêmio foi campeão gaúcho em 1979, e o Inter terceiro (eh eh eh eh), atrás do Esportivo de Bento (que completou 100 anos em 2019  e volta à série A do Gauchão ano que vem). Entretanto, não tinha como, para quem gostasse de futebol, deixar de sentir prazer vendo um baita time como esse jogar no Brasileiro daquele ano.

Bom, do Falcão todo mundo lembra. Craque, golaços, etc. Um autêntico bola-bola, realmente. Lembro muito do Mário Sérgio, pelo lado esquerdo, um vesgo que enxergava longe e antes dos outros o jogo. Fez, conforme o programa Fantástico, o gol mais fácil do ano, recordo. Seria campeão mundial pelo Grêmio em 1983 e morreu naquele acidente da Chapecoense, como comentarista. Sempre prestei muita atenção no que ele dizia, sabia muito.

Os jogos passavam na TV e eu via, claro, encantado. Depois ia no campinho tentar imitar, sem sucesso, algumas coisas deles e, também e principalmente, do meu ídolo, o ponteiro-direito gremista Tarciso, o Flecha Negra. Lembro do jogo contra o Palmeiras, na semi-final, e do jogo final contra o Vasco, além de alguns outros. Dos dois citados tenho uma recordação relativamente boa, dos outros apenas coisas esparsas, gols e alguns lances, coisa assim, tipo um gol do Falcão de bico, por cobertura, contra o Goiás. Ou foi contra o Palmeiras esse gol? Sei lá, não importa mesmo, só interessa que foi um golaço e que é um dos top 10 na minha cabeça. Foram campeões invictos.

Mas foram apenas 23 jogos, mesmo com mais de 90 clubes no Brasileirão. A gente conhecia, assim, clubes de todos os cantos do Brasil. Eram separados por grupos e havia final em dois jogos, não é como hoje, onde vinte se enfrentam ida e volta em 38 jogos sem final. Uma invencibilidade histórica, mas em 23 jogos. O Flamengo jogou agora em 2019 38 partidas e teve, mesmo com três derrotas, um aproveitamento percentual próximo ao daquele Inter: 78.9% contra 79, 7%. Não escrevo isso para minimizar o feito grandioso e único dos colorados, mas apenas para a gente ver como são as coisas. Dois grandes times, esse Flamengo de agora e esse Inter de 79.

Hoje, 23 de dezembro, faz 40 anos que o Inter venceu o Vasco por 2x1 na final no Beira Rio e foi tri-campeão brasileiro. O gol do Falcão naquela partida é ainda muito claro na minha memória. Puxa, era cruel ser gremista naquele tempo, só mesmo com muito amor envolvido. Os colorados estavam num patamar exponencialmente mais elevado, não havia comparação. Aliás, todo o futebol brasileiro possuía um patamar elevado, pois todos os craques jogavam por aqui, não na Europa. Dava gosto acompanhar o nacional naquele tempo.

Assim, rivalidades de lado, hoje é uma data feliz do futebol gaúcho, para ser recordada com um sorriso no rosto por todos aqueles que apreciam o esporte bretão. Parabéns, colorados, pelo feito.
 
João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 23/12/2019
Alterado em 23/12/2019


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