Início de fevereiro. Sento na poltrona 27 do Vitória das 8h45min para Porto Alegre e o Antônio, o colorado mais vermelho e recalcitrante de Charqueadas, acomodado no banco do corredor da fila ao lado, provoca: - E daí, vão disputar a segundona gaúcha?
O time titular da Máquina Tricolor do Humaitá havia feito seu primeiro jogo na Arena e perdera para o Cruzeiro por 0x1, eis o motivo da audácia e animação dele.
Contudo, na ousadia e na flauta do Antônio existe um fundo de verdade: o Gauchão é o campeonato mais difícil do mundo! Vejam, o Novo Hamburgo levou um século para ser campeão pela primeira vez, ano passado, e, agora, amarga a última colocação, no perigo do rebaixamento. É dureza!
E não é só com o Noia, não. O Grêmio de 2011 para cá ganhou uma Copa do Brasil e uma Libertadores da América, mas nenhum Gauchão! Ocupa a antepenúltima colocação na tabela de 2018, embora tenha boas chances de ser campeão da Recopa, depois do empate contra o Independiente, na Argentina.
E forças do interior que jogam a série B do Brasileirão, como Brasil de Pelotas e Juventude, e também o Caxias, só possuem um título do certame organizado pela Federação Gaúcha de Futebol, que completa 100 anos agora em 2018. E reparem que o Juventude tem um título da Copa do Brasil em seu currículo. Logo, vê-se, Gauchão não é para os fracos e, vencê-lo, tarefa árdua.
E deixei o Inter do Antônio para o final. Ano passado, o Colorado ficou em segundo tanto no estadual quanto na segundona do nacional, o que demonstra que o Gauchão é, no mínimo, tão disputado quanto o Brasileirão B! Aliás, lembram quando o Inter foi campeão da Libertadores e do Mundo em 2006? E bi da Libertadores em 2010? Pois é, no Gauchão daqueles anos, foi vice. A mesma coisa aconteceu com o Grêmio em 1983, ano em que a terra ficou mais azul, aos pés de Renato & Cia.
Assim, encerrando, reafirmo: o Gauchão é o campeonato mais difícil do mundo!