João Adolfo Guerreiro

Descobrindo a verdade/ sem medo de viver/ A liberdade de escolha/ é a fé que faz crescer.

Textos


Carta para Sylmar
(Sobre o livro "Pensadores que inventaram o Brasil", de FHC)

Bom dia cara Syl,

Recebi agora pouco o livro do Fenando Henrique Cardoso que tu me enviou. O carteiro disse: "Veio lá de Minas Gerais". Gostei da dedicatória, obrigado.

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Deu para sentir que o livro é bem legal: Joaquim Nabuco, Euclides da Cunha, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr, Antônio Cândido, Florestan Fernandes, Celso Furtado, Raymundo Faoro. O Epílogo já é bem interessante também: "Livros que inventaram o Brasil". A leitura exploratória da obra deixou-me muito interessado, ainda mais ao verificar que a grande maioria dos ensaios é anterior ao periodo presidencial do autor, antes daquela famosa frase "esqueçam tudo o que eu escrevi".

Um grande intelectual FHC, sem dúvidas. Um dos maiores sociólogos brasileiros: fato. Já o sabia antes do período presidencial dele que, confesso, me decepcionou, pelo caracter neoliberal do mesmo. Mas quando a gente não consegue olhar as coisas de mente aberta, cai no sectarismo e acha tudo o que não seja o ponto de vista de nossa visão de mundo sem validade ou merecedor de consideração. Por ser influenciado por uma teoria tanto crítica quanto autocrítica em minha foramção universitária, considero-me agraciado por não cair nessas tentações reducionistas do pensamento e da prática e, portanto, estou sempre aberto a investigação do pensamento de nosso tempo sob vários matizes e por vários autores, eis que a investigação do social se dá a partir de sua complexidade teórica e prática, e não do ponto de vista social e ideológica no qual estamos situados. Ler o livro que me enviaste cai nesse tipo de princípio. E FHC não é um autor vulgar ou menor.

São pensadores essenciais para o pensamento sobre o Brasil e seu povo, diria autores paradigmáticos sobre o pensar o Brasil. Nesse sentido, muito apropriado o título do livro. De todos esses, Florestan Fernandes é a grande figura da área da Sociologia. Assim como FHC, foi sociólogo, político e professor da USP, um dos precursores do ensino da ciência como disciplina universitária no Brasil. A diferença é que Florestam foi deputado federal e filiado ao PT.

A relação de FHC com ele foi intensa, visto que Florestan foi seu professor. Aquele famoso trabalho sobre escravidão no sul  do Brasil, pesquisa que FHC e Octávio Ianni, dentre outros, realizaram aqui no Rio Grander do Sul, foi coordenada por Florestan. Não li o Epílogo, mas tenho certeza que ele vai mencionar A Revolução Burguesa no Brasil dentre "os livros", pois é um clássico da sociologia brasileira, assim como Raízes do Brasil (Holanda), Casa Grande & Senzala (Freyre) e Os Donos do Poder (Faoro). Falando em Faoro, o seu livro utiliza a teoria de Max Weber em sua análise brasileira, e Weber, junto com Marx e Durkheim, forma o "triunvirato" classico da Sociologia.

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Mudando de assunto, não sei se tu viu, mas o IBGE lançou uma ferramente que possibilitaas pessoas verificarem os seus nomes em todo o Brasil, por cidade, estado e no geral. É baseada nos dados do censo 2010. Daí fui ver o teu nome, que tem uma sonoridade bem interessante, com já te falei há tempos.

Sylmar, "feminino", tem uma frequência menor que 20, daí não aparece na pesquisa. No "masculino" são 32 pessoas. Se procurar em "ambos os sexos", são 39; logo, em 2010 existim apenas 7 brasileiras com o teu nome. uau guria, tu és uma raridade, eh eh eh eh.

Já Silmar, "feminino", são 698 e "masculino" são 5.441. O ápice desse nome no Brasil foi nos anos 1970, com 230 mulheres e 1.563 homens. Aqui em Charqueadas já teve um Silmar, o Berbigier, ativista da emancipação do município em 1982, que não consta nos dados do IBGE por ter falecido bem antes de 2010. 

Syl, "feminino", não existe frequência no Brasil; Syl, "masculino", são menos de 20, daí não dá para saber quantas pessoas são. Esse seria um nome legal de se colocar em filha. Eu colocaria, acho ele curto e belo. Meu pai é Nery, com "Y", e esse é um pouco o motivo de eu gostar de nomes que tem a grafia usando-o. Nery Mathias, como "th", é o nome dele. Faz 80 o velho agora em julho. Tri "coxinha" ele, acredita? Eh eh eh eh eh.

Era isso Syl, vou ler o livro e depois, possivelmente, te conto o que achei.

Um grande abraço, tudo de bom.

João Adolfo

PS - Assisti ontem no cinema o filme sobre Nise da Silveira, "O Coração da Loucura". Uau syl, que filme.


João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 02/05/2016
Alterado em 02/05/2016
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