João Adolfo Guerreiro

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Grêmio, não entrega!

Como gremista, me posiciono contrariamente ao Grêmio, direta ou indiretamente, entregar o jogo desse domingo contra o Flamengo no Maracanâ. O fato do Inter ter interesse no resultado do jogo pra ser campeão, a meu ver, não justifica tal postura. Abaixo, reproduzo texto do jornalista Marcos Rolim sobre o tema:



CARTA ABERTA AO IMORTAL


02 de dezembro de 2009
Marcos Rolim
marcos@rolim.com.br

É possível que a maior parte da torcida do Grêmio e de sua direção não tenham se dado conta do que estará em jogo no domingo.
Diante de um Maracanã lotado, em partida que decidirá o campeonato brasileiro, se planeja escalar um time recheado de reservas, de tal forma que –fragilizada- a equipe seja derrotada pelo Flamengo, evitando, assim, que nosso rival – o outro time de Porto Alegre – possa alcançar o título. A estratégia tem sido objeto de debates entre comentaristas e analistas esportivos, recolhendo, por incrível que pareça, ares de coisa compreensível. Há quem, inclusive, valendo-se de microfones de emissoras de rádio – concessões do poder público – defenda aberta e ofensivamente a ideia de que o Grêmio não pode “dar o título ao seu histórico rival”.

O dilema posto ao Grêmio é o mesmo que se oferece aos que tomam decisões políticas. Afinal, quando agimos devemos materializar princípios morais - atuando em conformidade ao dever – ou devemos, de forma calculada e cínica, “fazer o jogo” da encenação para maximizar benefícios particulares? Curioso que muitos dos que se inclinam favoravelmente à tese da fragilização do Grêmio contra o Flamengo sejam os primeiros a criticar o império do pragmatismo que tomou conta da política brasileira. Para estes, como se percebe, “ética” é aquilo que exigimos dos outros.

Como torcedor e sócio do Grêmio e, sobretudo, como cidadão, exijo que meu time lance força máxima contra o Flamengo e que, se possível, cale o Maracanã. Afinal, me acostumei a torcer por um time imortal, formado por guerreiros e homens dignos. Não quero passar pela vergonha de saber que o Brasil inteiro estará acompanhando uma partida para a qual – por decisão política imoral – não nos lançaremos com ganas de vitória. Se este não for o pensamento da maioria da torcida tricolor, que ela seja educada, então. E se não houver um só dirigente capaz de erguer sua voz contra a barbaridade que se pretende cometer contra a história de um grande time, que, então, os jogadores do Grêmio ofereçam ao Rio Grande e ao Brasil uma lição inesquecível, travando batalha gloriosa no Rio de Janeiro.

Sim, “eles” poderão ser campeões, mas não há título que valha mais que nossa honra. E é ela que estará em jogo, domingo, sob os holofotes de um Brasil já cansado de tanta malandragem.
João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 04/12/2009
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