João Adolfo Guerreiro
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25/04/2026 17h18
20 anos e 7.312 dias de Recanto das Letras

Hoje comemoro 20 anos de Recanto das Letras, site literário voltado para o Brasil e o mundo que escreve em português. Ontem, num café às 17 horas, comemorei com os amigos em Charqueadas (estou de camisa branca na foto), no restaurante Rancho 401, que fica no bairro Colonia, onde nasci - situado no local em que antes ficava o Bar e Armazém Acosta, onde, em cada fevereiro, seu Pedro, o dono, fazia as melhores festas de aniversário as quais eu fui em toda minha vida.

 

Na foto acima, estão, da esquerda para a direita: Daynor (camisa vinho), Inês Borne, Carina Pahim, Jerônimo Diniz, Jaqueline, Henrique, eu, Cláudio e Emília.

 

Fiz esse texto para o Recanto: Vinte anos de Recanto das Letras.

 

Publicado por João Adolfo Guerreiro
em 25/04/2026 às 17h18
 
14/04/2026 15h02
Pra ler Verissimo pai

Em dezembro passado todos nós, gaúchos e brasileiros apreciadores da boa literatura pátria, sopramos cento e vinte velinhas para o nascimento de nosso maior escritor, Erico Verissimo. A propósito de tal, ouso aqui indicar, em tão vasta e exponencial bibliografia, dois livros para os neófitos adentrarem no mundo literário de Verissimo pai: Caminhos Cruzados, romance de 1935; e Solo de Clarineta, autobiografia de 1973/76, nesta ordem.

 

Caminhos Cruzados não é o primeiro livro de Erico, antecederam-lhe Fantoches (1932), Clarissa (1933) e Música ao Longe (1935). Então por que indico Caminhos Cruzados em primeiro lugar? Por N motivos: primeiro, porque li todos; segundo, porque Caminhos fala da Porto Alegre do início dos anos 1930 e ficou situado no que se denominou no Brasil de Romance de 30, escola literária social da segunda fase do Modernismo (1930- 1945), uma literatura tida como neorrealista e regionalista, sendo que o romance de Verissimo foi o que mostrou a estratificação social gaúcha para o restante do país; terceiro, porque o livro é ótimo e estruturalmente inovador, um recorte de cinco dias na vida das personagens em interação.  Logo, é uma entrada e tanto na obra do autor em seus primeiros anos, no que julgo ser o seu melhor.

 

Buenas, tchê, lido Caminhos Cruzados, indico que se vá então para o epílogo do romancista, Solo de Clarineta. São dois volumes: Tomo I (1973) e Tomo II (1976), o segundo inacabado devido à morte de Erico em 1975. Lendo-os, terão a dimensão do homem e do escritor, de como o primeiro viveu e pensava a partir de suas experiências e da representatividade do segundo. No primeiro volume, o mais interessante e gostoso de ler, no meu ponto de vista, está o homem, desde a infância em Cruz Alta até Porto Alegre e o mundo: Europa e EUA - onde morou e trabalhou. No Tomo II vemos o romancista consagrado gozando de enorme prestígio na Europa, em suas viagens turístico-literárias, bancadas por seus editores d'além mar.

 

Se o Tomo I me deu prazer e saciou a curiosidade, o II me deixou impressionado, realmente de queixo caído ante tamanho prestígio de crítica e público, erudito e popular, de Erico Verissimo na Europa, principalmente em Portugal. O Tomo II aborda ainda Espanha e Holanda, mas, tomando por base o plano original, Itália, Alemanha, França, Áustria, Tchecoslováquia, Londres, Suíça e Israel ficaram de fora, infelizmente inconclusas. Pena perdermos eternamente a apurada e aguda percepção do autor em sua passagem por esses países. 

 

Feito, afinal, esse caminho literário que vai do jovem ao velho Verissimo pai, estará o iniciante apto e cônscio para pérolas como a trilogia O Tempo e o Vento, Olhai os Lírios do Campo, Incidente em Antares, Um Certo Capitão Rodrigo e outros.

 

É a minha dica para quem ainda não cavalgou pelos pagos de Verissimo, mas que pretende fazê-lo .

 

 

Publicado por João Adolfo Guerreiro
em 14/04/2026 às 15h02
 
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