João Adolfo Guerreiro

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Meu Diário
26/03/2018 12h25
ESCOLA ARTUR DORNELLES: sobre a história de Charqueadas

Imagens - arquivo EMEF Artur Dornelles - Fotos de Cláudio Silva

Estive hoje pela manhã num bate papo sobre a história de Charqueadas com alunos da 6ª, 7ª, 8ª e 9ª séries da Escola Municipal de Ensino Fundamental Artur Dornelles, no bairro Santo Antônio, em Charqueadas, a convite da professora Samantha Belzareno. A participação foi motivada pelo aniversário do município, dia 28 de março.

Foram dois momentos distintos: das 08h30min às 10h, das 10h30min às 11h30min, em cada um com duas turmas. Usei como base da conversa com os alunos minha experiência pessoal, eis que nasci no bairro Colônia, ao lado da Santo Antônio, "em casa", por parto natural realizado pela parteira Gessy Quadros. Aproveitei também a realidade da minha infância, do tempo em que passávamos o verão inteiro no Rio Jacuí. Como a cidade não possui hospital e parteiras não existem mais, além das pessoas não interagirem mais com o rio, usei isso como ponto de partida. Também guiei-me pelo meu artigo Charqueadas, 33 anos (http://www.souzaguerreiro.com/visualizar.php?idt=5185297), publicado em 2015 no jornal Portal de Notícias.

Foi fácil constatar que a quase totalidade dos alunos nasceu em outras cidades (Porto Alegre e São Jerônimo) e não desenvolvem interação com o rio, pelos motivos acima. Assim, comecei o bate papo falando do início da cidade, ressaltando que ela surgiu em função do rio, que era o meio de transporte natural da época. Falei de como era a relação daqueles bairros com o centro da cidade, quatro quilômetros distantes e sem continuidade urbana, da perspectiva de quando eu era um estudante de primeira a quarta série na Escola Estadual Ramiro Barcellos: havia uma "distância cultural e social" muito grande, era como se fossem duas cidades distintas.

Passei pelo ciclo econômico do charque, destacando a figura do farrapo coronel José Manuel de Leão (http://www.souzaguerreiro.com/visualizar.php?idt=5771244), que residia em Triunfo mas que possuía uma charqueada na confluência entre o Rio Jacuí e o Arroio dos Ratos, sendo morto por tropas imperiais em 1836. Era o terceiro citado na lista do Império (depois de Bento Gonçalves e Onofre Pires), mas, curiosamente, nunca é lembrado durante a Semana Farroupilha na cidade. Por outro lado, mencionei o equívoco histórico do mesmo ser citado com pai do triunfense Qorpo Santo, fato desmontado pelas pesquisas do genealogista Diego de Leão Pufal (http://www.portaldenoticias.com.br/noticia/899/qorpo-santo-um-pouco-de-suas-origens.html). Ainda no ciclo do charque, destaco a figura do ex-senador Ramiro Fortes de Barcellos, que possuiu a charqueada Meridional onde hoje se localiza o bairro Colônia, ali tendo construído o Solar dos Barcellos (o Casarão da Colônia), demolido na década de 1980.

No ciclo do carvão, destaquei a Cooperativa dos Mineiros, que se localizava onde hoje é o Supermercado Bonatto, o Porto das Minas, que escoava a produção de Arroio dos Ratos vinda de trem e o Poço Otávio Reis.

Sobre o ciclo do aço mencionei as alterações urbanas na cidade com a chegada da Aços Finos Piratini, bem como sobre o rio e a relação da comunidade local com o mesmo. Destaquei as figuras de José Manoel Gonzales de Souza, charqueadense e ex-prefeito de São Jerônimo, além de membros da Comissão de Emancipação de 1982 como Silmar Berbibier, Aldo Moreira dos Santos e Anápio Ferreira, os dois últimos ex-prefeitos. Ressaltei o fato do "centro" ter se deslocado para o Parcão, afastando-se ainda mais da origem da cidade, ou seja, do rio. Abordando a Gincana de Charqueadas, salientei a importância do funcionário público municipal João "Turbina" Alberto de Paula para a consolidação do evento.

Por último, destaquei os livros da obra de Saldino Antônio Pires e Benedito Veit como fundamentais para um estudo da história da cidade. Foi muito bom, adorei o convite.

 


Publicado por João Adolfo Guerreiro em 26/03/2018 às 12h25
 
25/03/2018 21h32
DOMINGO DE RAMOS: Pe Sílvio na Cristo Rei

Foto - Blog JapaNews

A missa de Domingo de Ramos, abrindo a Semana Santa em Charqueadas, foi ministrada pelo Padre Sílvio Guterres Dutra, na igreja Cristo Rei. Trouxe o padre um apelo à reflezão nessa semana, principalmente contra a violência, tema da Campanha da Fraternidade de 2018.

Um sermão excelente, que capturou a atenção de todos. 


Publicado por João Adolfo Guerreiro em 25/03/2018 às 21h32
 
21/03/2018 10h56
ESPAÇO CULTURAL VALDA TISSOT JUNQUEIRA

Na sessão de ontem da Câmara de Vereadores de Charqueadas foi aprovado por unanimidade o projeto da vereadora Patrícia Ferreira (PTB) que denomina de ESPAÇO CULTURAL POETISA VALDA TISSOT JUNQUEIRA o antigo Salão do Sesi, na Cruz de Malta (atual Centro Administrativo Manuel de Souza Leão).

Esse mês marca os cinco anos do falecimento da poeta charqueadense, uma das grandes personalidades das cenas literária e cultural da cidade. Justíssimo e nescessário reconhecimento prestado pela vereadora proponente e demais parlamentares daquela casa legislativa municipal.


Publicado por João Adolfo Guerreiro em 21/03/2018 às 10h56
 
20/03/2018 14h03
OS TRÊS GATINHOS

Domingo minha gata deu cria. Três gatinhos.

Ao primeiro que nasceu, dei o nome de Cebolinha, era meio clarinho; o segundo chamei de Cruel, era meio escuro; o terceiro, também clarinho, batizei de Rei.

Na verdade nasceu um quarto, de pelagem encarnada, mas como nasceu morto, ficou sem nome.


Publicado por João Adolfo Guerreiro em 20/03/2018 às 14h03
 
15/03/2018 23h27
Katy Perry na Arena Grêmio: baita show!

Rumo à Arena - Cheguei às 18 horas ontem (quarta-feira, 14.03.2018) na Arena Grêmio, em Porto Alegre. Ainda havia ingressos nas zonas mais caras, então comprei uma cadeira gold, no segundo anel do estádio. Ironicamente, os últimos bebem água suja, mesmo que seja de ouro.

A Arena, devido à localização, é um monumento à desigualdade brasileira. O contraste entre o luxuoso palco futebolístico e a precária vila que o envolve é extremo, gritante. Fosse a casa tricolor em uma área nobre, de classe média ou alta, não possuiria tal simbologia. Creio que Katy e sua equipe ficaram impressionados com isso, pois turistas e artistas estrangeiros sempre reparam e comentam sobre essa disparidade a olhos vistos que se vê no Brasil. Como disse Thomas Pikkety à ZH, "o Brasil é o país mais desigual do planeta".

O motorista de táxi que me trouxe comentou:

- Veja só, depois que essa Arena veio para cá, os caras enlouqueceram, estão pedindo 500 mil por uma propriedade aqui. Mas quem vai querer morar nesse lugar? Talvez naqueles bares na volta do estádio, e olhe lá!

Entrei no perímetro da Arena e fiquei observando a fauna humana presente, reparando em coisas incomuns em relação ao que se vê em dias de jogo. Ambulantes oferecendo bandeiras "arco-íris" em tecido luminoso, com o nome da cantora impresso. Nem em outros shows se vê isso, pelo menos nos que fui. Na maioria muitas mulheres jovens, adolescentes, mães com filhas pequenas e casais LGBT. Um público raro para o local.

No meu setor a mesma coisa. Detalhe: praticamente só gente branca. Vi umas quatro ou cinco negras nas cadeiras gold e, mesmo assim, eram mulatas, claras, miscigenadas. Já na limpeza, na segurança e nas lancherias eles eram maioria. Até um índio eu vi atendendo. Pode ser que num show de um rapper americano isso fosse diferente, não é mesmo? Daí daria para saber até onde vai a questão cultural e onde começa a sócio-econômica.

Valéria abre a noite - No palco, em torno das 19 horas, a cantora gaúcha Valéria, negra e trans, fazia uma apresentação interessantíssima, mostrando canções de qualidade, fortes, muito bem recebidas pelos até ali presentes. Embora o contraste entre a cantora e o público, não imaginaria maior sintonia cultural entre ambos. Curioso isso. E tri legal. Valéria disse que sua apresentação foi em virtude uma lei que estabelece shows de abertura nacionais em Porto Alegre, coisa assim. Bom, na quarta, a políitica de cotas deu um bom resultado.

Excelente surpresa - Bebe Rexha, que ocupou o palco em seguida, era uma desconhecida para mim. Fui muito bem apresentado e fiquei surpreendido com a qualidade do seu trabalho e da sua voz. Muita competência vocal e instrumental, canções muito boas. Além da cantora (e compositora) havia três músicos sobre o palco: guitarrista, tecladista e baterista. As linhas de baixo deviam ser play back, assim como as dobras de voz e vocais de apoio. Gostei muito da apresentação, procurarei conhecer melhor sua música.

KATY PERRY -  Às 21h45min Katy Perry surge toda de vermelho, elevada por debaixo da passarela que ia até a metade da pista sob uma intensa parede de gelo seco. O público urrou, ou melhor, gritou agudo. O show de Katy é isso mesmo que se vê nos seus clipes: teatral, quase carnavalesco, com muita dança, muita fantasia, muita simpatia e muita brincadeira.

A parte musical é de alto nível: baterista, baixista, tecladista, dois guitarristas e duas backing vocals em apoio à voz de Katy, que canta muito. As canções mais antigas foram apresentadas  com novos arranjos. I Kissed A Girl inicia com uma harmonia totalmente diferente da original, parece até que Perry está cantando uma coisa e a banda tocando outra. No refrão, surge a harmonia conhecidíssima, embora as guitarras, marcantes na primeira versão. aparecem mais econômicas no início das mudanças de acordes. Excelente, coisa de quem não se acomoda e se rrecria.

Por esse mesmo caminho seguiram Hot'N Cold, Teenage Dream, California Gurls, Last Friday Night e Wide Awake. Essa última, que considero como o ponto alto do show, veio em versão acústica, com Katy ao violão, acompanhada pela banda. Não se via improvisos durante todo o show, tudo era muito certinho, muito criativo, lúdico e visivelmente ensaiado á exaustão, com muita cenogradia móvel, impressionante. As canções, mesmo remodeladas, encaixavam-se perfeitamente nas camadas de teclados que certamente eram programadas, visto a profusão dessas, impossíveis para um único tecladista.

Lá pela metade do espetáculo, Katy chamou para subir no palco alguém da pista premium. Era uma mulher de 28 anos de Teresina, Piauí. Vejam só!  Deu uma boneca de presente para a cantora, que enrolava um pouco de português e se virava com o públicxo e com a fã. Pedia "silêncio" perfeitamente, e o público obedecia, sempre que ela queria dizer algo e o pessoal não parava de gritar. Antes de Hot'N Cold perguntou à platéia como se falava hot e cold em português. Frio ela conseguiu repetir, mas quente, de jeito nenhum..

Fez uma interação que, essa sim, pareceu espontânea, com um "tubarão azul", na passarela. Tive de sair um pouco antes do final do show. No táxi, ouço pelo rádio que uma vereadora do Rio de Janeiro fora executada. Nem duas horas de diversão e o sangue da realidade brasileira já era cuspido em meus ouvidos; Guitarras em Porto Alegre e pistolas da Cidade Maravilhosa. Mas Katy fez um baita show, isso é o que valeu.

 


Publicado por João Adolfo Guerreiro em 15/03/2018 às 23h27



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