João Adolfo Guerreiro

Descobrindo a verdade/ sem medo de viver/ A liberdade de escolha/ é a fé que faz crescer.

Meu Diário
22/04/2020 13h36
32° dia em casa - meu sogro

Meu sogro é um cara que admiro, por ele se cuidar muito, há décadas. Nem aparenta os 75 anos que tem, tal o vigor físico que ainda apresenta. É mineiro aposentado, diabético com sequelas cardíacas e renais, as últimas devido ao uso da metformina, segundo sua útima consulta médica. Está de óculos, ao meu lado, nessa foto em Torres, em janeiro de 2015,

Ele caminha duas vezes por dia dentro de seu pátio, que é grande, por uma hora, passo largo e firme. Cuida alimentação, remédios. Sua glicose é, pela manhã, em jejum, noventa e poucos. Tomo ele como exemplo, pois sou diabético tipo 2, também. Quero ter os cuidados dele aos 75. Ele diz sempre que quer chegar aos noventa e, se for antes, será sob protesto.

Já contei esses dias que o arteiro foi numa festa familiar em Porto Alegre, né? Pois bem, ontem vi ele na rede, com o cabelo em dia, e perguntei pra minha esposa: - O teu pai passou gel no cabelo? - Não, foi no barbeiro. Pasmei. Putz, ir no barbeiro, numa situaçao dessas! Mas fazer o quer, né? Ele é que sabe.

Hoje teve de ir a Porto Alegre fazer exames, coisa necessária e importante, sem perspectiva de adiamento, no caso dele. O irmão dele o leva de carro. Fico com o coração na mão, sempre que ele sai por necessidade. Quando é sem, só lastimo.

Biblioteca - Estou na fase final de arrumação. Hoje ao final da tarde tomarei café com ela pronta.


Publicado por João Adolfo Guerreiro em 22/04/2020 às 13h36
 
20/04/2020 14h14
Trinta dias em casa, 26 deles sem colocar o pé pra fora do portão

Já escrevi antes que o último dia em que saí de casa foi 24 de março, a fim de levar um atestado de saúde no serviço. Desde o dia 21 de março estou em isolamento social, em casa, com a esposa, as gatas, o cão e a cadela. Já posso computar uma baixa: uma gata sumiu, sobre a qual também já falei noutra postagem.

Essa é uma das imagens que vejo todo o dia ao acordar. A foto, de 17 de junho de 2008, tirada num dia muito feliz, não teve a imagem alterada. Todavia, a situação é bem outra. Há quase 12 anos, numa manhã fria, saía para gravar com minha mãe a canção Olga (https://www.souzaguerreiro.com/audio.php?cod=18258), em um estúdio na cidade de Triunfo (https://www.souzaguerreiro.com/album.php?ida=3428), por ter sido selecionada para fazer parte do CD Encanto da Terra, promovido pela prefeitura de Charqueadas via Mostra de Música de Charqueadas. Tempo bom.

Por esses dias não há essa cerração que se observa na foto, eles estão amanhecendo claros e com o sol. A névoa que encobre as manhãs é invisível, é o medo e o receio por um vírus que não se enxerga e que pode ser mortal para muitos. Hoje, ao telefone, liguei para a minha mãe para saber como ela estava e perguntei se ela, aos 76 anos, já havia passado por algo igual. "Não" - foi a resposta. Há 12 anos estávamos compartilhando algo muito especial, hoje compartilhamos o distanciamento e a apreensão. "Mas isso tudo passará" - ela garante. Passará mesmo, claro.

Naquele dia 17 de junho de 2008 faltava exatamente uma semana para o meu aniversário, naquele clima de realizações ao completar meus 40 anos redondos e aos 64 dela já completos (ela é de 3 de janeiro). Hoje faltam 64 dias para o Dia de São João e eu me pergunto sobre como estarei pulando a fogueira na dita noite mais longa do ano. Uma sensação inédita em minha vida. Minha mãe está certa, é um momento ímpar para as várias gerações vivas e respirando nesse planeta. Só falo com ela e com o pai por telefone. Minha filha veio aqui no pátio de minha casa umas três vezes. Meu cunhado mais novo vem aqui ao lado, na casa dos pais dele, seguido. Duas vezes veio com a esposa e o filho. Esperou 15 dias até aparecer, para garantir que não passaria nada para os pais. Não saiu de casa, ele. Certo dia, pela manhã, meu sogro disse-me que estava sentido por ele não aparecer por aqui nem para dar um alô do portão. Então, vi que o meu sogro não discernia corretamente a gravidade da situação e o porque de meu cunhado mais jovem não aparecer, ou seja, aguardava a quarenta de 15 dias para vir aqui em segurança. Falei isso para ele e elogiei a postura e a preocupação acertada e lúcida de seu caçula. Ele entendeu, mas não sei se compreendeu; achou, suspetei pelo jeito e pelo silêncio dele, que, por certo, eu exagerava e que a coisa não era bem assim.

Meu pai, sei pela minha mãe e por ele mesmo, sai de casa para ir no banco resolver problemas "importantes" concernentes ao "dinheiro dele". Há uns dois dias, três novos casos aqui em Charqueadas foram referentes a funcionários da agência local do Banco do Brasil. Se contar o gerente, computado em outra cidade, onde reside, foram quatro. Ainda bem que o pai foi no Banrisul e na Caixa Federal. Espero que isso alerte ele do perigo de ir a bancos, numa hora dessas. Na casa ao lado, os meus sogros se arriscam como não deveriam, pois saem para pagar contas e comprar coisas que não entendo serem de extrema necessidade. Esses fatos me parecem surreais, mas as estou vendo acontecer. O meu cunhado mais velho vive batendo o pé na rua. Meu sogro foi a Porto Alegre esses dias, no aniversário de uma cunhada! Teve de ir num hospital de Porto Alegre consultar, inadiável essa, também na farmácia da prefeitura, é diabético, e para se vacinar. Não conseguiu, mas depois vieram vacinar ele e a minha sogra em casa. O sogro se cuida, caminha duas horas por dia e, pela manhã, sua glicose bate menos de 100, é um cara exemplar para a idade dele, se cuida, embora as derrapadas na rua. Meus pais também foram vacinados em casa. Rezo por todo mundo, para tudo acabar bem.

Uso a inteligência e o livre arbítrio, dados pelo sopro da vida de Deus em mim, para seguir a risca as orientações médicas e científicas nesse quadro de pandemia, visto que a ciência é luz divina aplicada via nossa inteligência, dom divino. Respeitar a ciência é seguir os conselhos de Deus. É o melhor que temos a nosso favor nesse plano físico, a ciência. Devemos seguir seus conselhos, então, oras. Isolamento social, higiene e protocolos! Todavia, as pessoas parecem com dificuldade de discernir isso e ver que a vida de antes da pandemia não existe mais, devemos constituir uma outra nornalidade cotidiana, revisando hábitos em favor da manutenção da vida, nosso bem maior. Não há volta, ou nos adaptamos ou sucumbiremos, os que são dos grupos de risco.

Mas as pessoas são assim, parecem que somente acordam e dão a devida atenção à gravidade das coisas quando a vaca já está indo pro brejo e elas estão sentadas em cima. Acho triste e surreal isso. E o grande problema é que, como as pessoas que não são dos grupos não abrem mão da antiga normalidade - e, infelizmente, fragilizando os efeitos do imprescindível isolamento social -, as que são acham que também devem continuar como antes, ignorando a realidade e os avisos da ciência, caindo num fatalismo pseudo-religioso onde "Deus é que sabe", como se Ele não tivesse nos dado a inteligência e o ivre arbítrio justamente para os usarmos ativamente em nosso aprendizado terreno. Não somos objetos passivos da vontade divina, somos instrumentos ativos de Sua Palavra, Ele age no mundo por nós, no comum e no milagroso.

O que aconteceu nesses trinta dias digno de nota, que eu já não tenha escrito nesse diário virtual?

Ah, hoje. Agora pela manhã. Pra ver como a coisa é! Meu cunhado mais velho chamou minha esposa para conversar, a fim de que ela lhe auxiliasse numa demanda particular que o deixava apreenssivo. Eu fiquei tomando café e, passado alguns minutos, fui lá ver o que era. Eles estavam à esquerda desse poste de concreto verde que vocês enxergam na foto acima. Ela do lado de cá da tela, ele do lá do de lá - onde vocês veem o portão e a cerca de madeira, é o amplo, agradável a arborificado terreno do meu sogro. Pois bem, ela não estava respeitando o distanciamento de dois metros recomendado, estava a menos de um metro dele. Óbvio que eu me preocupei, sou do grupo de risco, 52 anos a completar, diabético tipo 2. Ele gesticulava e falava excitado com ela, devido ao problema que o atormentava. Só que ele é o que anda pra baixo e pra cima, na rua, pelas proximidades. Moramos  no centro. Nada contra o cara, os problemas dele e como ele acha por bem levar a vida nesse momento; tudo ok minha esposa ajudar o irmão, mas a não observância do distanciamento me incomodou. Quando ela voltou para dentro de casa, falei, cobrando. Ela respondeu que era muita pressão sobre ela, vinda de todos os lados, e se emburrou comigo.

E é mesmo. Eu, que convivo com ela, bem sei de quanta pressão recai nesse momento sobre os ombros dessa companheira maravilhosa que Deus me deu o privilégio de conquistar. Ela cometeu um erro de procedimento sanitário? Sim. Eu mesmo já cometi vários. Ninguém é culpado por isso, nem os chineses, nem o presidente, o governador, o prefeito, o meu cunhado, nem eu e nem ela. Isso é coisa desse mundo. E errar é humano, as falhas acontecerão. Eu, claro, fico mais sensível a elas por ser do grupo de risco, obviamente. Então a gente vai lidando com essas coisas da melhor maneira que a gente pode, mantendo a calma, o bom senso e o discernimento. Nos primeiros cinco dias a partir do dia 21 eu fiquei com muito medo. Não tive pavor, pânico e nem perdi o autocontrole, mas fui construindo minha coragem e o domínio de minhas faculdades emocionais e psicológicas seguindo os conselhos médicos para manter incólume a saúde mental, adotando protocolos e procedimentos pertinentes, reorganizando os hábitos cotidianos, e buscando Nele a paz e a coragem que estão em mim colocados via o sopro divino da vida. Uma coisa que eu vi a médica Jule Santos dizer num vídeo, que ter força não é o mesmo que não ter medo, ajudou-me muito. Quem tem de te dominar é a primeira, não o segundo, e isso é busca e construção racional, calcadas na ciência e na fé. Minha esposa foi fundamental nesse processo, ela é muito forte, inteligente e comprometida a cada hora do dia.

Deus. Ouço e leio as pessoas clamando proteção. Eu rezo pedindo pelas pessoas em situação econômica desfavorável em todo o mundo, que são as mais expostas a esse mal que assola o planeta. Mas o reino Dele não é o desse mundo. Jesus fala isso na Semana Santa, frente a Pilatos. Os apóstolos igualmente deram testemunho disso e o viveram na carne, também. As coisas dessa vida são as coisas desse mundo, para o nosso aprendizado. Somos, todos os seres vivos, ora predatores, ora presas. Isso é fácil de escrever? Sim, mas quando o perigo nos afronta, tememos por nossa vida. É divino esse instinto, mas não podemos perder o norte do que diz a Palavra. Não sermos fatalistas e passivos, nunca! Termos uma fé ativa e operante, orando e obrando. Orar, obrar e jejuar, foi o que intuí logo no início disso tudo, lá no começo de março, ao ler Joel, e escrevi na página da bíblia branca ao lado de minha cama. Orar - é óbvio o que é. Obrar - é realizar, no cotidiano, com disciplina e altruímo, caridosamente, aquelas pequenas coisas das quais Santa Teresinha de Lisieux nos fala em História de uma alma. Jejuar - não é o lance da mortificação do corpo via restrição de alimentos, é algo mais amplo que isso. Um pouco como São João da Cruz nos fala em Subindo o Monte Carmelo, evitando os apetites que nos afastam de Deus. Claro, não falo aqui nos termos dele, na busca da noite escura da alma, a anulação dos apetites dos sentidos, visando uma realação íntima e profunda com Deus, isso é um nível muito mais elevado; falo aqui dos vícios que nos desregram e detonam nosso corpo físico e que, na situação atual, nos tornam frágeis ante as consequências de uma possível contaminação. A questão, portanto, não é se revoltar com Deus, mas aprender e obrar, fazer a sua parte com altruísmo e observando as recomendações das várias ciências e da medicina, nesse mundo, sabendo o reino não é nele, mas Nele e Dele. São as reflexões que faço, nesse momento.

Minha esposa está fazendo um carreteiro de churrasco das sobras que propositalmente deixei ontem. Bateu na porta e me chamou nesse exato momento. Vamos lá. A vida segue e, "enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo" - João. Depois do almoço, vou voltar aqui para minha amada biblioteca, continuar a arrumação de meus livros ao som da Rádio Continental (vou procurar também a Rádio da Universidade - UFRGS) e depois sentar na rua, em frente da casa, olhando esse belo dia, acompanhado dos cães e das gatas.

Fiquem todos em casa, fiquem todos com Deus.


Publicado por João Adolfo Guerreiro em 20/04/2020 às 14h14
 
19/04/2020 23h56
29° dia - Churrasquinho e vídeos

Hoje no início da tarde fiz um churrasquinho na minha mini-churrasqueira. Foi legal. Gravei um vídeo para os meus pais, minha filha e meu genro e o irmão mais novo da minha esposa, na hora que assava a carne, dizendo que esperamos reunir aqui em casa todos eles para um churrasco quando der.

Minha filha, à noite, gravou um vídeo cantando e mandou pra gente. Fiquei muito emocionado. Eis ele no Youtube:


Publicado por João Adolfo Guerreiro em 19/04/2020 às 23h56
 
19/04/2020 23h12
29° dia em casa - Livros: Neil Peart, Música para viagem

Ontem chegou para mim esse livro. Havia encomendado ele na Livraria Lua de Papel, de São Jerônimo, um lugal legal onde ir e comprar. Estavam para inaugurar seu novo endereço no Shopping Bonatto Center e veio a pandemia, uma lástima, estava com muita vontade de ir lá. Paguei online e recebi em casa. Vai ser o único livro que comprarei na quarentena, por "economia de guerra" e pelo protocolo de evitar ao máximo a entrada de coisas de fora em casa, exceção para as essenciais.

Livrarias, já vinham se ajustando estruturalmente ao mercado e agora sofrerão um baque com essa pandemia. A saída vai ser a venda online e tele entrega, como foi nesse caso. Adoro ir a livraria e a cinema. Mas não reclamo, ficar em casa não é sacrifício algum; é, sim, benção e privilégio nesse momento grave pelo qual passamos.

Eu já estava para comprar os livros do Neil Peart havia um tempo. Como ele faleceu dia 7 de janeiro, resolvi adiantar as compras. Adquiri todos lá na Lua de Papel mesmo, esse era último que faltava. Gosto desse tipo de literatura autobiográfica de caras do rock, dos que são "cabeça", pois costumam ser bastante abertos e contam coisas legais sobre a vida deles que acrescentam pra nossa. Estava agora pouco na poltrona do papai de minha biblioteca lendo-o. Gostei, é bem o que eu esperava. É basicamente um texto sobre a vida dele e sua relação, desde criança, com a música.

Na minha história de vida será o "livro da quarentena". Nem preciso dizer que esse eu lerei agora.

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Outros livros que eu reli nessa quartentena durante a Semana Santa - sempre os uso nesse período - e que são adequadíssimos para tal são os do Juanribe Pagliarin: Jesus - A vida completa e O Evalgelho reunido. Ganhei eles em 2016 do meu colega Paulo Peixoto. Curioso que bem na época tentava fazer mais ou menos o que justamente faz Pagliarini nas duas obras: reúne os evangelhos como se fossem apenas um, relatando o dia a dia de Jesus no primeiro e os evgangelhos como um todo com comentários no segundo. A gente fica por dentro, na Semana Santa, dos acontecimentos que se deram a cada dia e, a partir da Quinta-feira Santa, a cada hora, Um trabalho muito bom o dele, sei por que vi a trabalheira que dá tentar fazer isso cruzando os sinóticos e João. Recomendo-os.


Publicado por João Adolfo Guerreiro em 19/04/2020 às 23h12
 
18/04/2020 12h47
28 dias de isolamento social: sumiu a Porto Alegre

Os dias passam lentos, iguais e calmos aqui em casa, devido a segurança que o isolamento social propicia, mesmo eu sendo diabético, do grupo de risco, e meus pais e sogros idosos, diabéticos e cardíacos, em suas casas. Passou a Semana Santa e todo mundo bem, graças a Deus e a ciência.

Nessa situação, perder um bichinho baixa o moral, mas a gravidade do presente é tamanha que ficamos anestesiados. Ela sumiu faz quatro dias. Ainda bem que não a vi morrer. Gata castrada, quando some quatro dias, já era. Apareceram dois ratos mortos aqui em casa, por certo envenenados, pois minhas gatas mais velhas, a Coruja e a Vulkana, não os comeram. A Porto Alegre era nova, um ano, e caçadeira. Deve ter pego um ainda vivo, alquebrado, e comeu. Como não senti cheiro na volta de casa, alguém deve ter sumido com o corpo dela, pois a bichana não ia longe.

O nome dela, na verdade, era Frida Uiu, mas eu a chamava de Chita ou de Porto Alegre. Chita porque era magra, ágil e veloz como uma chita. Porto Alegre porque veio de lá para mim. A vi numa foto no Facebook de uma colega de serviço, a Rosane, que mora na capital. Estava numa caixa com dois irmãos pretos, a mãe havia morrido e a colega queria doar para quem os desmamasse. Foi olhar para ela e decidir ficar, nem sabia se era gata ou gato. Outra colega, a Geórgia, a trouxe para mim. A Frida Uiu, eu e minha esposa a chamamos assim, pois ela miava insistentemente algo parecido, "uiu", quando tinha fome. Tenho videos dela agarrada na mamadeira, no meu colo. Ficou muito apegada em mim. Até agora, com um ano, quando vinha no meu colo, procurava mamar na minha roupa. Mega carinhosa e companheira.

Fazer o que, né? Abaixo, nós juntos, ano passado, assistindo um jogo da Copa América.


Publicado por João Adolfo Guerreiro em 18/04/2020 às 12h47



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