João Adolfo Guerreiro
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Textos


O verdadeiro Frankenstein

- Igor! O cérebro, Igor!

Igor? Que Igor? Vamos parar por aqui, não existe Igor algum no romance de horror e ficção científica publicado há 200 anos, em janeiro de 1818, pela jovem Mary Shelley, então com a idade de 19 anos.

Isso mesmo, esqueça tudo o que você acha que sabe sobre o “monstro” bicentenário concebido por Victor Frankenstein, pois quase nada está no original. É quase tudo recriação do cinema, como na imagem acima, de O Jovem Frankenstein (1974). Desde a concepção visual da criatura sem nome, passando pelo modo como foi gerado, até o castelo e o cientista. O Frankenstein e sua criação, no livro, são outros, bem diferentes.

Claro que eu não vou dizer quem eles são para não estragar o prazer da leitura, que tem nas livrarias uma edição comentada bem legal da editora Zahar (ah, essas edições comentadas da Zahar, deliciosas). Há uma edição de luxo da Darkside, que eu folheei, primorosa, que também é comentada, mas que não comprei. Os textos incluídos pela Zahar são sempre muito bons, então fui pelo certo, pelo que já conheço. O lançamento comentado de Drácula da Zahar já tinha sido Top 10.

Na verdade, Mary apenas lançou o livro em 1818. Escreveu em 1816. Estava ela com o marido, a irmã e um amigo médico passando um tempo numa propriedade de Lord Byron (famoso poeta inglês) na Suíça, entediados com a chuva incessante. Liam livros de terror para passar o tempo, quando Byron teve uma ideia: cada um escreveria uma história com tal temática e depois a mostraria para os demais. Assim, Frankenstein – O Prometeu Moderno, foi criado por uma guria de 17 anos, para aliviar o tédio. Os presentes acharam o conto tão original e interessante que a estimularam a transformá-lo num romance e publicar. E estavam certos: o livro foi mal na avaliação da crítica, mas um tremendo sucesso de público, logo de início.

Esse Victor Frankenstein que a gente conhece dos cinemas, o cientista louco, é mais baseado num personagem da vida real, o alquimista profissional Johann Dippel (morto em 1734), que realmente morava num castelo e lidava com essas coisas de cadáveres e eletricidade. Como eu sei disso tudo? Ora, li o texto de apresentação de Santiago Nazarian que abre a edição da Zahar. Além disso, o livro traz uma introdução da autora à edição de 1831 do livro, considerada definitiva, contando como elaborou o romance.

Bom, se você tiver interesse em conhecer o verdadeiro Frankenstein, eis o caminho do castelo. Opa, desculpe, o caminho do quarto do...


Texto publicado no site do jornal Portal de Notícias em 06.02.2018http://www.portaldenoticias.com.br/ler-coluna/454/o-verdadeiro-frankenstein.html
João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 25/02/2018
Alterado em 26/02/2018
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