João Adolfo Guerreiro
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Reforma 1x1 Assalariados

A grande notícia dessa semana para quem vive se salário foi a derrota da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal, após esta ter sido aprovada na Comissão de Assuntos Econômicos dia 6 de junho: placar de 1x1, portanto.

Se na Câmara dos Deputados tivemos o jogo de ida “Reforma Trabalhista X Assalariados”, com vitória da Reforma, agora, no jogo de volta, no Senado, a coisa aparentemente começa a embatucar. Provavelmente no dia 28 ela vai ser votada na Comissão de Constituição e Justiça, antes de ir para o plenário. A fim de virar o jogo para os Assalariados, as centrais sindicais de trabalhadores marcaram uma grande mobilização nacional contra as reformas para o dia 30 de junho. A bola está, pois, rolando.

Uma das teses dos torcedores da Reforma Trabalhista, ou seja, governo federal e grandes empresários, é de que ela vai gerar mais empregos. Sofisma! A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) existe desde 1943 e, de lá para cá, tivemos várias situações de emprego em alta e em baixa no Brasil. Logo, a CLT nunca incidiu sobre isso, mas sim sobre os direitos que os trabalhadores de carteira assinada possuem em sua defesa, seja qual for a conjuntura econômica. Em 2014, por exemplo, tivemos praticamente uma situação de pleno emprego, conforme dados do IBGE.

Ademais, hoje alcançamos o recorde de mais de 14 milhões de desempregados, dados verificados no primeiro trimestre desse ano. E é aqui que está a arapuca dos torcedores da Reforma: quando a economia voltar a crescer, sazonalidade comum a toda economia capitalista de mercado como a brasileira, vão afirmar que foi devido à reforma da CLT, se essa for aprovada. Nada a ver.

Os próprios fóruns liberais internacionais desmentem a tese dos seus congêneres brazucas: no Fórum Econômico de Davos de 2016 foi discutido o impacto da automação e dos avanços tecnológicos na economia mundial, o que irá gerar a diminuição de 7,1 milhões de empregos no mundo nos próximos cinco anos. É o processo conhecido como desemprego estrutural tecnológico, ou seja, postos de trabalho que se vão e não voltam mais ao mercado devido a alterações estruturais no processo produtivo e de serviços. E tal está em crescimento no Brasil, ano a ano, com maior impacto nos setores de saúde, energia e serviços financeiros e de investimento.

Logo, nesse jogo, o que os “reformadores” querem é aproveitar a crise econômica e política atual e emplacar alterações na CLT que não vão gerar mais empregos estruturais, mas sim empregos piores, vide a diminuição de direitos dos trabalhadores que favorecerá os lucros das empresas, diminuindo o “custo” emprego. A terceirização foi só a primeira etapa desse processo.

PS – Enquete realizada pelo site do Senado cravou: 95% das 135 mil pessoas que responderam são contrárias à reforma trabalhista.

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HOTEL CALIFORNIA – Há 40 anos essa canção ocupava o primeiro lugar nas paradas americanas. É o maior sucesso dos Eagles e um dos maiores clássicos do rock. Ainda rola direto nos bares com música ao vivo.


Texto publicado no Jornal Portal de Notícias, versões impressa e onlinehttp://www.portaldenoticias.com.br
João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 22/06/2017
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