João Adolfo Guerreiro

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...E Música: Woodstock, 50 anos

A música foi tão importante assim para a dimensão que Woodstock tomou? Na busca de uma possível resposta a essa pergunta, vamos ouvir o depoimento de um hippie que aparece no filme e que vinha de carona para o festival, oriundo "do que você ou outros chamariam de comunidade":

"Os perdidos vieram por que os outros pensam estar numa boa. Todos procuram alguma resposta onde não existe nenhuma. Por que 300 mil, ou 120 mil, ou 60 mil pessoas viriam aqui? Só por causa da música? Ela é assim tão importante? Acho que não. As pessoas não sabem como viver e o que fazer e acham que podem descobrir aqui o que é, ou como provar essa verdade. As pessoas estão muito perdidas."

O fato é que, quando Richie Havens abriu o Festival de Woodstock na tarde da sexta-feira, dia 15, 450 mil pessoas já se aglomeravam no local, superando a expectativa de público de 200 mil (186 mil ingressos foram vendidos antecipadamente), com a organização do evento decretando a gratuidade deste, retirando as bilheterias e derrubando as cercas. Ao final, quando Jimi Hendrix (foto acima) subiu ao palco para fazer o derradeiro show ao amanhecer da segunda-feira, 18, restavam cerca de 30 mil jovens.

O que isso revela? As pessoas cansaram, visto a chuva, a lama, a falta de estrutra sanitária adequada, a escassez de água e alimentos e as drogas ruins? Ou a música realmente não era tão importante assim, como disse, acima, o hippie? Percebam que Hendrix era um fenômeno à época, ele e Janis Joplin, que também se apresentou em Woodstock. O show do guitarrista só mostrou a sua genialidade e é incrível assitir hoje sua apresentação e perceber que aquele som ainda possui vitalidade e atualidade, cinquenta anos depois, o que não é o caso dos outros artistas, que são ótimos, mas soam tecnicamente datados. Particularmente, creio que Hendrix foi o único gênio musical gerado pelo rocrk, o único que realmente foi revolucionário em sua arte e merece tal substantivo-adjetivo. Entretanto, mesmo com todos esses predicados, apenas 30 mil pessoas aguardaram seu show. Um pouco por culpa dele ou do empresário, que pediram o maior cachê do festival (35 mil dólares, coisa assim) e exigiram que Hendrix o encerrasse...

No LP triplo (valeu, Marcos!) e no filme-documentário oficiais de Woodstock estão registradas parte das apresentações de 18 artistas solo ou bandas, mas 32 subiram no palcoo: rock, folk, funk, hard rock, rockabilly, blues e até um proto heavy metal, Mountain (que não aparece no filme, mas pode ser visto nos extras do DVD quádruplo lançado em 2009, comemorativo aos 40 anos do festival). Os mais destacados e famosos à época foram, além de Hendrix, Havens e Joplin, Joan Baez, Arlo Guthrie, Crosby-Stills-Nash & Young, The Who, Sly and the Family Stone, Canned Heat, Country Joe and the Fish, Ten Years After, Jefferson Airplane, Greatfull Dead (que ficou fora do filme e do LP!), Creedence Clearwater Revival (que também sobrou!) e Joe Cocker. Carlos Santana, o hoje famoso guitarrista mexicano, ganhou apenas 750 dólares para tocar em Woodstock, mas entrou no filme e no LP e teve sua carreira alavancada.

Não há dúvida que a música foi o carro chefe de Woodstock, pois consistia no grande meio de comunicação e representação social da juventude daquele tempo. Contudo quem foi lá aspirava por algo que passava por ela, mas que estava muito além dela: a identidade e a utopia libertárias de toda uma geração que buscava o sentido de sua vida na paz, no amor e, também, na música.
João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 17/08/2019
Alterado em 17/08/2019
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